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Projeto do IFMA de Codó consolida parceria com a EMBRAPA

IMG_20160421_001456O projeto PECUS (pecuária sustentável), realizado através da parceria entre o Instituto Federal do Maranhão Campus Codó e a EMBRAPA Meio Norte, concluiu mais uma etapa de desenvolvimento no último dia 08 de abril. O projeto é composto por diversos pesquisadores distribuídos em seis biomas brasileiros (Amazônico, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal, Pampa e Cerrado) e tem como objetivo estudar a dinâmica dos gases de efeito estufa ligados à pecuária brasileira bem como apontar sistemas mitigadores e políticas públicas para o setor. O bioma Amazônico, cujas pesquisas ocorrem em Codó, é um dos biomas onde os resultados são aguardados por toda comunidade científica nacional e internacional, sobretudo pelo fato da região possuir um grande efetivo de bovinos e por conta de ser uma área de florestas importantes para congressos.
Atualmente, o Brasil possui mais de 205 milhões de bovinos, sendo um dos maiores rebanhos do mundo. O setor é um dos mais importantes para o país, gerando anualmente mais de um bilhão de dólares. Esta atividade é apontada por organismos internacionais como sendo uma das mais poluidoras do Brasil, contribuindo diretamente para o agravamento do efeito estufa no mundo. Isto ocorre principalmente por conta da emissão de metano entérico pelos animais decorrentes do processo natural de digestão. “O metano é cerca de 23 vezes mais prejudicial ao efeito estufa do que o CO2, ou seja, uma unidade de metano equivale a 23 unidades de CO2. Entretanto, os dados apresentados pela comunidade internacional não são dados obtidos em nosso país e dessa forma esse projeto pretende quantificar essas emissões e apontar sistemas que causem menor impacto ao meio ambiente” explica o médico veterinário Marcílio da Frota, da EMBRAPA Meio Norte, pesquisador responsável pelas ações PECUS Amazônico/Codó e doutorando na Universidade Federal do Ceará.
Desenvolvimento da pesquisa
No bioma Amazônico, são propostos dois sistemas de criação de animais sob regime de pastejo rotacionado. Um em área de pastagem cultivada em pleno sol e outro, um sistema integrado floresta-pecuária, onde a pastagem é consorciada com a floresta nativa da região, no caso o babaçu. Para aumentar o consumo de pasto nos sistemas, a pastagem é dividida em 7 piquetes de 0,4ha, no qual os animais pastejam um piquete por vez, obedecendo uma altura mínima do capim tanto na entrada quanto na saída dos piquetes, onde o animal entra no piquete com o capim por volta de 80 cm e sai quando estiver com 40cm, passando para o próximo piquete e assim sucessivamente, até retornar ao primeiro piquete, fechando um ciclo de pastejo. Dessa forma, pretende-se ter um melhor aproveitamento da pastagem e isso se reflete em maior ganho de peso e menos emissão de metano por quilo de carne produzido. Em cada área é mantida uma taxa de lotação equivalente utilizando 16 novilhos em cada tratamento.
Para a captação do metano se utiliza um aparato confeccionado por tubos de PVC   contendo uma válvula de pressão chamada de canga. Esta canga é submetida a uma pressão negativa e colocada no pescoço do animal. Um tubo conectado à válvula da canga e a um cabresto do animal é colocado de forma que sua extremidade fique posicionada no focinho do animal próximo a sua narina. Por diferença de pressão, o ar em volta da narina e boca é sugado para o interior da canga, esse fluxo de ar é controlado por esse tudo capilar fazendo com que em 24 horas preencha a metade da capacidade da canga. Após 24 horas de uso nos animais, esse aparato é removido, calculado o volume de ar interno e seu conteúdo analisado em um aparelho chamado de cromatógrafo de gás. Esse aparelho determinará a concentração do metano contido em cada canga e está localizado na Embrapa Meio-Ambiente, localizada em Jaguariuna, São Paulo, onde as cangas são remetidas.
O projeto está em andamento e analisa a emissão e desenvolvimento de bovinos ao longo do ano, tanto na estação seca como na chuvosa. Entretanto, já se tem alguns resultados preliminares referentes à estação seca. Esses resultados apontam que a emissão de metano é em torno de 25% inferior ao que preconiza os organismos internacionais e que, apesar do período seco, os animais ganharam peso nos sistemas, sobretudo no sistema integrado com árvores. Isto aconteceu por conta da melhor qualidade e quantidade de forragem no sistema integrado. Por conta disso, a emissão de metano por quilo de carne produzida foi 3 vezes inferior no sistema com árvores do que no sistema tradicional.
Dessa forma, esses resultados demonstram até o momento que, no consórcio de árvores (babaçu) com pastagem, ocorre uma menor emissão de metano por quilo de carne produzida, melhor desempenho e conforto animal, além de ser um sistema ambientalmente correto com grande importância econômica, social e cultural para a região. “Vale ressaltar que milhares de pessoas vivem do extrativismo do babaçu na região e dependem diretamente da floresta. Neste projeto estamos provando ser possível o convívio entre produção animal, mitigação de gases de efeito estufa e conservação de florestas nativas”, completou Marcílio.
Para o diretor geral do IFMA Campus Codó, professor José Cardoso, “o Projeto PECUS tem três relevâncias fundamentais: a primeira é o protagonismo do IFMA Campus Codó em pesquisa de alto padrão, com repercussão no meio produtivo regional, nacional e internacional.  A segunda deve-se a contribuição dos primeiros resultados dessa pesquisa produzidos à comunidade científica da grande área de Ciências Agrárias, constatando que a produção de bovino de nossa região com manejos sistemáticos silvopastoril pode diminuir a emissão de gases na atmosfera, danosos para o efeito estufa, nos níveis exigidos pelos organismos internacionais. E a terceira, refere-se à contribuição decisiva dessa base empírica de pesquisa instalada no Campus Codó para o desenvolvimento educacional de qualidade, envolvendo a participação, convivência, prática de salas de aulas e produções científicas dos alunos dos cursos Técnico em Meio Ambiente, dos graduandos de Licenciatura em Ciências Agrárias e de Engenharia Agronômica dos Campus, aberta para a população estudantil e pesquisadores do IFMA como um todo”.
O Projeto PECUS termina nesse ano de 2016 e seus resultados completos serão publicados em revistas científicas, jornais e congressos.

 
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