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Pesquisa Datafolha mostra que as redes públicas continuam atuando para aumentar a oferta de atividade não presencial aos estudantes na pandemia e a maioria dos responsáveis apoia modelo híbrido no retorno às aulas

Apesar dos muitos desafios impostos pela crise do novo coronavírus à educação brasileira, a rede pública de ensino do país tem se mobilizado para ampliar a oferta de atividades não presenciais aos estudantes. É isso o que mostra a segunda pesquisa Datafolha, encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, realizada com o intuito de fornecer informações aos gestores públicos sobre a educação na pandemia e apoiá-los na tomada de decisões. A pesquisa EDUCAÇÃO NÃO PRESENCIAL NA PERSPECTIVA DOS ESTUDANTES E SUAS FAMÍLIAS foi realizada de 11 a 20 de junho de 2020 com 1.018 pais ou responsáveis por 1.518 estudantes de escolas públicas municipais e estaduais brasileiras, com idade entre 6 e 18 anos, dos anos iniciais, finais (1º ao 9º  ano) e Ensino Médio. As entrevistas foram por telefone. A primeira pesquisa Datafolha sobre o tema foi feita de 18 a 29 de maio de 2020.

“Temos que combater esse sentimento de que o ano está perdido. As atividades de ensino não presencial não substituem a sala de aula, mas podem minimizar os prejuízos do fechamento das escolas até que um retorno gradual e seguro seja possível. Os números mostram que as redes públicas estão fazendo um grande esforço para se adaptar a esse momento”, diz Daniel de Bonis, diretor de políticas educacionais da Fundação Lemann.

Passou de 74% para 79% o percentual de alunos das redes públicas que recebem algum tipo de atividade pedagógica não presencial durante a pandemia. A constatação compara os resultados da primeira e da segunda onda de pesquisa Datafolha, realizadas em um intervalo de cerca de um mês.

O percentual cresceu mais nas regiões Norte e Nordeste – as duas na primeira etapa da pesquisa, haviam apresentado os resultados mais baixos do país. A faixa de ensino que demonstrou mais crescimento foram os anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). Enquanto houve variação em torno de 2 pontos percentuais nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, no Nordeste foi de 9 pontos e no Norte, de 8 pontos.

Nos anos iniciais, aumentou de 70% para 79% a oferta de atividades, enquanto os anos finais (6º ao 9º ano) passou de 73% para 76%. No Ensino Médio, a variação foi de 86% para 84%.

 

Os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de estarmos atentos às desigualdades sociais, pois as populações mais vulneráveis são justamente aquelas com menor acesso à educação não presencial. Nota-se o esforço das redes de ensino em ampliar a oferta dessas atividades de maneira abrangente, mas ressaltamos a importância de um olhar com equidade e integrado com as famílias, que estão se desdobrando para acompanhar os estudantes”, diz Patricia Mota Guedes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social

 Evasão Escolar

A percepção de risco de evasão escolar pelos pais e responsáveis continua igual ao primeiro levantamento, em 31%. Porém entre os que têm três ou mais estudantes em casa, esse índice chega a 38%. O receio da evasão é agravado por novos dados colhidos pela pesquisa: o aumento da falta de motivação dos estudantes para as atividades em casa, que passou de 46% para 53%; e o índice dos que percebem dificuldade na rotina das atividades em casa, que subiu de 58% para 61%. Nas famílias com três ou mais estudantes em casa, esse índice chega a 67%.

Como contraponto ao medo de evasão, a pesquisa aponta que a proximidade com o professor pode estimular os estudantes nos estudos. De maneira geral, 82% dos alunos se dedicam mais de uma hora por dia aos estudos e 29% mais de três horas. Entre os que têm contato frequente com o professor, percebe-se uma tendência de maior dedicação, sendo 31% para aqueles com mais de três horas, contrastando com 26% entre os que não têm esse contato nessa mesma carga horária.

Além disso, metade dos responsáveis considera que os estudantes estão evoluindo no aprendizado com as atividades escolares em casa. O índice é mais alto entre os estudantes dos anos iniciais.

“Uma evasão dessa proporção seria dramática para o país, por isso é muito importante que as redes de ensino reforcem os laços dos estudantes com a escola, mesmo à distância. O papel do professor na manutenção desse vínculo é muito importante, e vai ser preciso uma atenção especial à saúde mental e física desses profissionais, no meio de tantos desafios”, diz Daniel de Bonis, da Fundação Lemann. 

Aspecto psicológico dos estudantes

Nesta edição da pesquisa Datafolha, foi investigado o aspecto psicológico dos estudantes na pandemia. Além do sentimento de ansiedade e irritação, muitos temem a volta às aulas por medo da contaminação ou por não conseguir acompanhar as atividades.

Para 64% dos pais ou responsáveis, os estudantes estão ansiosos, 45% estão irritados, 37% tristes e 23% com medo do retorno à escola. Quanto maior é o número de estudantes em uma só casa, maior é essa percepção. Nas residências com três ou mais alunos, 72% estão ansiosos, 63% irritados, 50% tristes e 34% com medo de voltar à escola.

O medo da contaminação pelo novo coronavírus no retorno às aulas é uma preocupação para 87%, enquanto 49% temem não conseguir acompanhar o volume das atividades e 43% não conseguir acompanhar as aulas. Entre os mais pobres, é maior o medo de não conseguir acompanhar o volume das atividades (60%) e o ritmo das aulas (53%).

Pais defendem volta às aulas no modelo híbrido

Para 89% dos responsáveis pelos estudantes, o retorno às escolas deve seguir um modelo de aulas presenciais conciliadas com as atividades em casa. O maior apoio a esse formato é na região Sul (94%).

Os responsáveis também responderam sobre o que valeria a pena fazer para que o estudante não perca o ano escolar de 2020:

  • 73% defendem ter aulas aos sábados – o menor apoio a esse modelo está na região Norte (62%);
  • 72% citam a prorrogação do ano letivo de 2020 para 2021 – o maior apoio à ideia está na região Centro-Oeste (80%);
  • 68% defendem ter mais horas de aula por dia – maior apoio na região Nordeste (75%);
  • 63% citam ter aulas em dias alternados – com menor apoio ao modelo nas regiões Norte e Centro-Oeste (42%).

 

PERFIL – PESQUISA

Perfil dos estudantes Perfil dos Responsáveis
  • Gênero

47% feminino

53% masculino

 

  • Por Idade

39% 6 a 10 anos

34% 11 a 14 anos

27% 15 a 18 anos

 

  • 5% tem algum tipo de deficiência

 

  • Cor declarada

45% pardos

37% brancos

9% pretos

2% amarelos

1% indígenas

6% outros.

 

  • Gênero

30% masculino

70% feminino

 

  • Idade

4% de 18 a 24 anos

28% de 25 a 34 anos

43% de 35 a 44 anos

23% de 45 a 59 anos

2% mais de 60 anos

 

  • Parentesco

63% mãe

24% pai

6% avô/avó

4% tia/tio

3% irmão/irmã

4% padrasto/madrasta

 

  • Cor declarada

46% parda

31% branca

14% preta

2% amarela

1% indígena

5% outros.

 Estudantes na casa

59% 1 estudante

30% 2 estudantes

11% 3 ou mais estudantes

 

Renda das famílias

73% até dois salários mínimos

13% de 2 a 3sm

7% de 3 a 5 sm

4% de 5 a 10 sm

1% mais de 10 sm

2% recusa/não sabe

 

Renda na pandemia

50% teve a renda reduzida

36% ficou igual

14% a renda aumentou

 

Residência

36% vivem em capital

ou região metropolitana

64% no interior

 
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Categoria: Estado