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Surpresas, emoções e as novas passadas da corredora Codoense Nívia Vitória após os JEB’s

A história da menina de Codó (MA) que descobriu um novo caminho para batalhar por um futuro melhor por meio do atletismo no megaevento escolar.

Foto: Matheus Bacelar/ Min. Cidadania

Em sua definição semântica, uma surpresa significa um fato inesperado, não anunciado previamente, capaz de causar admiração. Para Nívia Vitória, 14 anos, moradora de Codó, no interior do Maranhão e estudante do 8º ano, a surpresa que mudou sua vida se resume a quatro letras: JEB’s.

“Eu vou lhe falar a verdade: eu não sabia de nada. Só vi os meninos e aí ele aqui (o técnico de atletismo Arcelino Martins, que acompanha a equipe maranhense nos JEB’s) falou: ‘Tu vai para os JEB’s’. Aí eu falei: ‘O que é JEB’s?’ Ele respondeu: ‘É um lugar onde a gente corre e ganha medalha’… E agora estou aqui”, narra Nívia Vitória.

Eu me encontrei aqui. Quero mudar a vida da minha mãe e do meu pai. Quero terminar a casa dela. Quero conseguir no atletismo tudo o que quero. Vou ajeitar a vida da minha família”

Nívia Vitória

Ainda em Codó, quando descobriu que os Jogos Escolares existiam, a jovem corredora sequer sabia onde os tais JEB’s seriam. A segunda surpresa veio quando foi informada de que o palco seria o Rio de Janeiro. “Eu ia desmaiando. Caí da cadeira quando a moça me falou. Eu disse: ‘Ôxe!? Vou para o Rio? E ela: ‘Sim! E você vai competir lá’. Não tive palavras. Fiquei muito feliz”, prossegue a jovem maranhense.

Foto: Matheus Bacelar/ Min. Cidadania

A partir daí, um mundo novo se abriu para Nívia. A primeira viagem de avião, a primeira vez em um hotel, novos amigos e, principalmente, o contato com uma nova realidade do atletismo, o esporte que ela passou a amar ainda mais.

Nívia explica que, antes dos JEB’s, jamais havia visto uma pista oficial. Até mesmo o formato oval foi novidade para ela. Em Codó ela treina numa pista em formato quadrado e de cimento. “Eu enlouqueci para falar a verdade. Estava agradecendo a Deus e a todo mundo. Estava pedindo conselho de como era pisar na pista. É tudo o máximo. Eu me encontrei aqui”.

As provas do atletismo nos JEB’s foram realizadas no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes – CEFAN, instituição militar que passou por reformas custeadas pelo Governo Federal para os Jogos Olímpicos Rio 2016. Ela correu os 2.000m. Terminou a bateria na terceira colocação, mas o tempo não foi suficiente para que conquistasse uma medalha.

De família muito humilde, a corredora maranhense é filha de uma cabeleireira que atualmente trabalha no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) em Codó. A unidade pública de assistência social atende pessoas que vivenciam situações de violações ou violências. O pai sofre de um problema no coração e, em função de não poder fazer esforço, atualmente não pode trabalhar.

Foto: Matheus Bacelar/ Min. Cidadania

Se não chegou ao pódio no Rio, Nívia conquistou outras vitórias nos JEB’s. Na competição estudantil, ela vislumbrou portas que o esporte pode abrir para os que o abraçam. “Estou aqui porque quero mudar a vida da minha mãe e do meu pai. Quero terminar a casa dela. Quero conseguir no atletismo tudo o que quero. Vou ajeitar a vida da minha família”, sonha Nívia.


Ídolos, conselho e presente

Nos JEB’s, Nívia Vitória ainda teve a oportunidade de ganhar uma fonte a mais de inspiração. Ela chamou a atenção de dois dos embaixadores da competição: a campeã olímpica do salto em distância nos Jogos de Pequim 2008, Maurren Maggi, e o duas vezes medalhista olímpico André Domingo, bronze nos Jogos de Atlanta 1996 e prata em Sydney 2000, no revezamento 4 x 100m livre.

“Se ela guardar, é um tênis que ganhou de uma campeã olímpica. A gente tem histórias parecidas. A nossa bate com a de muitas crianças aqui. E a gente espera que ela faça bom uso das nossas palavras, porque o resto é com ela”

Maurren Maggi

“Eu passei fome e consegui vencer todas as dificuldades. Tem muita criança aqui que passou a mesma coisa ou está passando até hoje. Batalhei, conquistei, fui às Olímpiadas, conquistei medalhas e servi de exemplo em nosso país”, disse André Domingos, que disse ter enxergado em Nívia um pedaço de sua própria história.

“Eu acho que você é um grande exemplo hoje aqui. Um exemplo de acreditar e não desistir, de poder mudar a história da sua família através do atletismo. Eu sonhava isso tudo quando tinha a sua idade”, incentivou o campeão.

Foto: Matheus Bacelar/ Min. Cidadania

De Maurren Maggi vieram, além de palavras de apoio, um presente: o par de tênis que a medalhista de ouro tirou dos pés e deu para servir de inspiração e de recordação do encontro nos JEB’s. “Se ela guardar, é um tênis que ganhou de uma campeã olímpica. Mas quero que sirva de exemplo. Ela conheceu a gente e a gente é humilde para caramba, eu e o André. A gente tem histórias parecidas. A nossa bate com a de muitas crianças aqui. E a gente espera que ela faça bom uso das nossas palavras, porque o resto é com ela”, diz Maurren.

Até o encontro com Maurren e André, Nívia não sabia quem eles eram, mas a admiração e o respeito foram imediatos. “Foi incrível porque eles são um exemplo e a história deles tem pouca diferença da minha. Eles começaram descalços, não tinham nada. Eles são incríveis, me deram conselhos muito bons e eu vou seguir todos”, garante Nívia.

Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania

 
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Categoria: Local