No entanto, a vítima foi barrada por um segurança. Os funcionários do supermercado suspeitavam que o homem havia tentado subtrair diversos produtos, como carne, linguiça toscana e pão, que totalizavam entre R$ 100 a R$ 150.

O homem foi conduzido pelos seguranças para uma área administrativa do supermercado e foi revistado pelos funcionários. Depois, os trabalhadores da empresa levam a vítima para o almoxarifado, nos fundos do estabelecimento, onde o cliente ficou algemado e em pé até às 14h, quando foi liberado. Durante esse período, um dos vigias permaneceu no local com uma arma de fogo e teria ameaçado atirar caso o homem não confessasse que havia furtado alimentos.

A vítima informou ter sido acusado de furto, ameaçado com arma de fogo, algemado e mantido fixado em uma barra de ferro e em pé das 8h às 14h. Nós entendemos que ainda era flagrante delito e fomos ao supermercado. No local, a vítima apontou os envolvidos, encontramos a algema que foi reconhecida como a usada, fomos ao almoxarifado onde havia estrutura metálica que a vítima permaneceu algemada — disse o delegado Allan Santos, de Santa Inês.

No chão do almoxarifado também havia um fio de energia cortado e outro de nylon usados para amarrar algema na estrutura metálica. Os materiais foram apreendidos e considerados como indícios de que o homem foi mantido algemado no supermercado.

De acordo com o delegado, o exame de corpo de delito também constatou lesões no punho da vítima. Allan Santos explicou que o médico legista considerou que a contusão é condizente com o uso de algemas.

Os funcionários e a vítima concordam que o homem ficou algemado, mas a equipe da empresa não soube explicar porque não acionou a polícia para prender o suspeito — disse o delegado. — A vítima não sofreu agressão física, mas psicológica, apesar do sofrimento físico por ficar em pé todo esse tempo — acrescentou.

Os trabalhadores do supermercado foram indiciados pelos crimes de cárcere privado e tortura. O Ministério Público Estadual chegou a se manifestar favorável à conversão do flagrante em prisão preventiva, mas a Justiça  decidiu conceder liberdade provisória para os presos com o argumento de que eles têm bons antecedentes.

A investigação sobre a suspeita de furto ainda não foi finalizada. Segundo o delegado, não houve flagrante por este crime devido o lapso de tempo entre o suposto fato e a denúncia.

Procurado pelo GLOBO, o Grupo Mateus informou que a equipe de segurança da loja impediu o furto de mais de 30 mercadorias. “Foi concedido ao autor, um prazo para que a sua família efetuasse o pagamento das mercadorias, evitando assim, o registro formal da ocorrência”, diz a nota.

A empresa alegou que a vítima, em represália, “registrou boletim de ocorrência, deturpando os fatos e levando informações distorcidas ao delegado de plantão que apurou preliminarmente o caso”. O Grupo Mateus informou que está à disposição das autoridades para esclarecer o ocorrido.