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Delagado Zilmar Santana é o novo delegado regional de Codó

delegados

Zilmar e Alcides


A direção administrativa da 4ª Delegacia Regional de Codó passará por mais uma mudança de comando nos próximos dias.
Alcides Nunes Neto, que substituiu à Rômulo Vasconcelos no início de 2015, entregará o cargo de delegado regional de Codó para seu companheiro e amigo Zilmar Santana, atualmente titular do 1º DP. A troca foi confirmada ao blog pelo próprio delegado Zilmar  que diz aguardar tão somente a publicação da portaria da Secretaria de Segurança Pública do Estado.
Não há reclamação contra Dr. Alcides Martins  Nunes Neto, que vai assumir a titularidade do 1º DP, substituindo Dr. Zilmar.
Ele muito bem desempenhou sua função e também é elogiado por todos os integrantes da  imprensa por atendê-la sempre que solicitado.
Trata-se, tão somente, de mudanças que, novamente, o perdido governo de Flávio Dino fará em, praticamente, todas as regionais (muda de secretários, muda de delegados, muda tudo toda hora e nada muda  no Maranhão).
Os delegados que atuam em Codó, sobretudo na administração regional que engloba Codó, Timbiras, Peritoró e Coroatá, vivem no limite para exercerem suas funções. Faltam agentes de polícia e muitas outras coisas que facilitariam o trabalho policial.
DE LÁ PRA CÁ
Vale aqui lembrar, para exemplificar o que digo, que  o próprio regional, então recém-chegado à cidade vindo de Timbiras, para onde foi mandado seu antecessor, deu entrevista na rádio FCFM dia 23 de abril de 2015 quando falou das dificuldades e de sua esperança.
“QUER DIZER QUE NÓS TEMOS HOJE, DELEGADO, APENAS 1 INVESTIGADOR DE PLANTÃO HOJE? Exato, nosso efetivo é esse que nós temos pra trabalhar é só esse aí…FORAM REMANEJADOS, O QUE ESTÁ ACONTECENDO? é como o próprio colega já falou, estamos vivendo um momento excepcional, questão de mudança de governo, já foi feito  concurso público, existem delegados, investigadores e escrivãs que estão aguardando nomeação e, com certeza, virão servidores pra cidade de Codó’, respondeu  ao jornalista Alberto Barros, do programa Cidade Notícias naquela ocasião.
Verdade é que, do que foi descrito, pouca coisa mudou de abril de 2015 à abril de 2016. Neste diapasão nada favorável, desejemos, ao menos, mais sorte, ao futuro novo delegado regional Zilmar Santana, muito embora  a maioria dos codoenses nem jogue mais sobre os ombros da esperança qualquer benefício que possa vir de Flávio Dino ou de  seus calados e envergonhados aliados nesta terra esquecida pelos comunistas.
Fonte: blog do Acelio

Câmara votará impeachment com fragmentação recorde

JC_Presidente-Dilma-Rousseff-na-convencao-nacional-do-PDT-em-Brasilia_22012016004-e1453908365723-940x540A Câmara dos Deputados deve votar o afastamento da presidente Dilma Rousseff em meio a um nível recorde de fragmentação partidária, isso poderá dificultar a governabilidade do país independente de qual seja a decisão final.
Segundo a Folha de S. Paulo, atualmente 25 partidos estão no Congresso, os três maiores são PMDB, PT e PP, que totalizam pouco mais de um terço dos deputados federais.
Entre os partidos que estiveram nas últimas seis disputas presidenciais, o PT tem a menor bancada desde que chegou ao Palácio do Planalto, já o PSDB diminuiu em relação aos anos do governo do tucano de Fernando Henrique Cardoso.
A publicação destaca que a Rede abriga a ex-senadora pelo Acre Marina Silva (ex-PT, ex-PV e ex-PSB) e apenas cinco deputados. Já o Partido da Mulher Brasileira tem apenas um membro, do sexo masculino.
A legislação brasileira ajudou o país a se tornar um dos líderes mundiais em proliferação de partidos desde sua redemocratização, recorde-se que até 1979 a ditadura militar permitia apenas duas legendas. Os atuais números não têm precedentes no período.
A Folha explica que na Câmara existem obstáculos inéditos para a formação de maiorias e mesmo alianças ocasionais. No caso da defesa de Dilma, o PT e seus aliados mais fiéis à esquerda, PDT e PC do B, contam apenas 91 votos, 80 abaixo do mínimo necessário para manter a presidente no governo.
Desde a legislatura passada, o trio de siglas diminuiu, quando o fracasso das políticas econômicas desenvolvimentistas desencadearam um desgaste progressivo do governo.
Ainda segundo a publicação, no restante da base de sustentação ao Planalto, as afinidades ideológicas são mais ralas, e os compromissos, mais incertos, um exemplo é o PMDB do vice Michel Temer e seus 69 deputados.
Pós-impeachment
O governo tem pela frente uma agenda de ajustes orçamentários que podem incluir a elevação de impostos e uma reforma da Previdência com redução de direitos.
PSDB e DEM são os partidos que podem concordar com a pauta, pois são os principais sustentáculos das reformas liberais do governo FHC na década de 1990. Em 1998, os dois partidos elegeram juntos 204 dos 513 deputados. O segundo governo tucano elevou a alíquota da CPMF, a antiga contribuição sobre movimentação financeira, criou o fator previdenciário, que reduziu as aposentadorias, e aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A reportagem destaca ainda que atualmente tucanos e democratas somam apenas 76 nomes; somados os peemedebistas, que também minguaram nas últimas eleições, não se atinge 30% da Câmara.
A oferta de cargos e verbas poderá ser uma alternativa para conquistar votos nas legendas de menor protagonismo político, que, atualmente, formam a maioria da Casa. Os principais exemplos são PP, PR e PSD, todos representados no ministério de Dilma.
Na possibilidade de um impeachment, a união de apoio a Temer será outra tarefa difícil, independentemente da instabilidade que os próximos movimentos da Operação Lava Jato venham a provocar no mundo político.
 

Fonte: Notícias ao Minuto

No duelo dos invictos, Vasco vence o Botafogo e se isola na liderança

downloadA invencibilidade no Campeonato Carioca agora é única e pertence ao Vasco. Num clássico disputado em São Januário neste domingo, o Cruzmaltino venceu o Botafogo por 1 a 0 com gol de Thalles e se isolou na liderança da Taça Guanabara.
Com o resultado, o time de Jorginho chegou ao 16º jogo sem derrota. Já o Alvinegro, que foi o primeiro colocado geral da fase anterior, perdeu a sua primeira na temporada.
Há mais de dois anos o Vasco não sabe o que é ser derrotado pelo Botafogo. Na próxima quarta-feira, no estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF), os cruzmaltinos têm outro clássico, deste vez contra o Flamengo, rival onde também vem tendo uma supremacia, já que não perde há um ano para o Rubro-Negro.
VASCO 1 X 0 BOTAFOGO
Local:
São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Hora: 16h (Horário de Brasília)
Árbitro: Rodrigo Nunes de Sá
Auxiliares: Luiz Cláudio Regazone e Diogo Carvalho Silva
Renda e público: R$ 232.590,00 / 7.314 presentes e 6.483 pagantes
Cartões amarelos: Rodrigo, Thalles, Jorge Henrique, Jordi, Julio dos Santos (VAS); Airton, Diego (BOT)
Cartões vermelhos: Nenhum
Gols: Thalles, aos 25 minutos do primeiro tempo (VAS)
Vasco
Jordi, Madson (Yago Pikachu), Luan, Rodrigo e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Julio dos Santos (Bruno Gallo), Andrezinho e Nenê; Jorge Henrique (Caio Monteiro) e Thalles
Técnico: Jorginho
Botafogo
Jefferson, Diego, Carli, Emerson (Renan Fonseca) e Diogo; Airton, Bruno Silva, Rodrigo Lindoso (Gervásio Nuñes) e Gegê (Neílton); Salgueiro e Ribamar
Técnico: Ricardo Gomes

FASES DO JOGO

  • Primeiro tempoCom fortes sistemas de marcação, Vasco e Botafogo fizeram um primeiro tempo truncado. O Alvinegro tinha mais posse de bola, mas o Cruzmaltino levava mais perigo nos contra-ataques. Foi num desses que Nenê deu um lindo passe de primeira para Thalles, que fuzilou da intermediária e abriu o placar. O Botafogo chegou a balançar a rede também, mas o árbitro assinalou impedimento de Ribamar em lance duvidoso.
  • Segundo tempoAtrás no placar, o Botafogo voltou para o segundo tempo pressionando o Vasco. O Alvinegro teve ao menos duas grandes oportunidades para empatar, ambas na jogada aérea. Na primeira, Emerson cabeceou no travessão. Na segunda, Bruno Silva subiu livre e cabeceou para fora. No fim do jogo, o Cruzmaltino ainda teve a chance de ampliar num contra-ataque rápido em que Andrezinho invadiu a área e Jefferson fez boa defesa.

DESTAQUES

  • Na pazDiferentemente da partida da primeira fase, onde uma grande pancadaria aconteceu do lado de fora de São Januário, o clima do Vasco x Botafogo deste domingo foi de paz. Vascaínos e alvinegros conviveram harmoniosamente dentro e fora do estádio.
  • Tira a camisa!Empolgado com o gol marcado sobre o Botafogo, o jovem atacante Thalles tirou a camisa e acabou recebendo cartão amarelo.

REPERCUSSÃO

  • Thalles, sobre ter tirado a camisa no gol“Me empolguei um pouco. Sabendo da importância do jogo, me empolguei. Não era para ter tirado, mas é coisa que acontece”.

Crise sem fim. Palmeiras sofre quatro gols e perde a 4ª seguida com Cuca

downloadO Palmeiras vive uma crise sem fim na temporada. Neste domingo, em Presidente Prudente, o time perdeu por 4 a 1 para o Água Santa, na quarta derrota seguida sob o comando de Cuca. A torcida alviverde voltou a cobrar os jogadores, com invasão de campo e gritos de “time sem-vergonha”.
A equipe alviverde sofreu três gols em 13 minutos, já na reta final do primeiro tempo. Até sofrer o primeiro gol, o time de Cuca era superior na partida e até mandou uma bola na trave. na bola parada, a equipe de Diadema abriu o placar. Robinho, de pênalti, empatou logo depois. O Água Santa, porém, marcou dois gols em sequência — o último impedido. Na etapa final, matou o jogo depois de um gol contra de Roger Carvalho.
Com o resultado, o Palmeiras caiu para último no Grupo B. Agora, o time alviverde soma 15 pontos, atrás de Ituano (18), Novorizontino (18), Ponte Preta (16) e São Bernardo (16).

FICHA TÉCNICA
ÁGUA SANTA 4 x 1 PALMEIRAS
Competição: Campeonato Paulista (12ª rodada)
Local: Paulo Constantino, em Presidente Prudente (SP)
Data: 27 de março de 2016
Horário: 16h
Público: 2.821
Renda: R$ 149.950,00
Árbitro: Leandro Bizzio Marinho
Auxiliares: Daniel Paulo Ziolli e Osvaldo Apipe de Medeiros Filho
Cartões amarelos: Russo e Bruno Ré (Água Santa); Edu Dracena e Egídio (Palmeiras)
Gols: Gustavo, aos 34, Robinho aos 43, Everaldo aos 44, e Bruninho, aos 47 minutos do primeiro tempo; Roger Carvalho (contra), aos 22 minutos do segundo tempo.
ÁGUA SANTA: Dheimison; Pedro, Eli Sabiá, Gustavo e Tarracha (Bruno Ré); Russo, Sérgio Manoel, Bruninho (Éder Loko) e Tchô (Rafael Tavares); Everaldo e Francisco Alex. Técnico: Márcio Bittencourt
PALMEIRAS: Fernando Prass; Lucas (João Pedro), Edu Dracena, Roger Carvalho e Egídio; Thiago Santos (Régis), Arouca, Erik (Zé Roberto), Allione e Robinho; Rafael Marques. Técnico: Cuca

COMO FOI O JOGO

  • Primeiro tempoO Palmeiras começou a partida no campo de ataque e logo acertou a trave. No lance, antes do dois minutos, Robinho avançou pelo meio e bateu da entrada da área. A bola bateu no travessão e voltou para Allione, que não conseguiu concluir. Aos seis, o meia argentino recebeu pela esquerda, chutou para o gol e mandou rente à trave. Nos minutos seguintes, o Palmeiras valorizou a posse de bola, mas não conseguiu assustar o Água Santa. Aos 28 minutos, Thiago Santos pegou a sobra e chutou para fora. Na primeira chegada ao ataque, o time de Diadema abriu o placar: após cobrança de escanteio aos 34, Gustavo levou a melhor sobre Edu Dracena e cabeceou sem chances para Prass. O Palmeiras chegou ao empate aos 43, após Robinho converter pênalti sofrido por Edu Dracena.No lance seguinte, porém, o Água Santa marcou o segundo gol, com Everaldo, que invadiu a área, ganhou de Lucas e bateu na saída de Prass. O Palmeiras ainda sofreu o terceiro: Bruninho recebeu na frente, driblou o goleiro e chutou para o gol vazio.
  • Segundo tempoCuca fez duas alterações no time durante o intervalo: saíram Lucas e Thiago Santos para as entradas de João Pedro e Régis, respectivamente. No primeiro lance de ataque, Robinho quase diminuiu. O chute do meia, porém, explodiu na zaga do Água Santa. Na sequência, Allione perdeu oportunidade de concluir dentro da área. Aos nove, Sérgio Manoel arriscou de longe e viu Prass fazer a defesa. O Palmeiras diminuiu o ímpeto e ainda viu o time de Diadema ampliar o placar. Aos 22, Roger Carvalho marcou contra de cabeça depois de cobrança de escanteio.Cinco minutos depois, Rafael Marques finalizou na área e mandou nas mãos do goleiro. Edu Dracena ainda cabeceou com perigo aos 36 minutos e viu novamente Dheimison fazer a defesa. Aos 40, Everaldo acertou o travessão depois de chute da entrada da área.
DESTAQUES

  • Mais protestos contra o PalmeirasDepois do segundo gol sofrido pelo time alviverde, um torcedor invadiu o campo para protestar contra a equipe. Após o terceiro gol, espectadores voltaram a gritar “time sem-vergonha”.O fato se repetiu no segundo tempo.
  • Edu Dracena capitãoO zagueiro atuou pela primeira vez como capitão do time do Palmeiras. Desde a chegada de Cuca, outros três atletas jogaram com a faixa: Zé Roberto (Nacional-URU), Vitor Hugo (Osasco Audax) e Arouca (Red Bull Brasil).
MELHORES

  • Robinho, PalmeirasJogador mais lúcido do Palmeiras no jogo. O camisa 27 acertou o travessão logo no começo do jogo e ainda converteu o pênalti quando o time alviverde perdia por 1 a 0.
PIORES

  • Edu Dracena, PalmeirasO zagueiro falhou duas vezes no gol do Água Santa. Primeiro, cedeu o escanteio para o time de Diadema. Depois, deixou Gustavo cabecear sozinho no meio da área.

Fernando Santana filia-se ao PDT e declara apoio a pré-candidatura de Francisco Nagib

IMG_20160328_060210Na última semana mais um pré-candidato a vereador filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista e declarou apoio a pré-candidatura do empresário Francisco Nagib a prefeito do município de Codó. No evento, que aconteceu no dia 20 de março na sede da Associação Comercial de Codó, o pré-candidato a vereador Fernando Santana reuniu mais de cerca de trezentos correligionários para anunciar sua filiação ao PDT de Francisco Nagib.
De acordo com Fernando, o PDT apresenta a melhor alternativa para o município de Codó, por ter como pré-candidato a prefeito o jovem empresário. “O PDT, a cada momento, tem mais adesões e mais pessoas estão abraçando a candidatura de Francisco Nagib. Vamos trabalhar para que o eleitorado codoense apoie massivamente o projeto do PDT para termos uma Codó melhor”, declarou.
Mais jovens lideranças aderem ao PDT
Fernando Santana também explicou que sua pré-candidatura a vereador nasceu de um desejo de sua base, para ver na câmara codoense novas práticas de trabalho, valorizando ações que busquem superar os problemas sociais que impedem o pleno desenvolvimento de Codó. “Acreditamos nos ideias do PDT e na competência, experiência e compromisso do empresário Francisco Nagib”.
Na ocasião, o pré-candidato a prefeito e presidente do PDT codoense, Francisco Nagib explanou ao público presente um pouco sobre sua vida e do desafio de sair de sua zona de conforto e buscar a luta política. O jovem empresário falou sobre projetos inovadores nas áreas da saúde, geração de empregos, segurança e educação e sobre a necessidade de Codó acompanhar as mudanças que acontecerão no país.
“Sabemos que o Brasil passa por um momento de mudança e acreditamos que novas pessoas devam ingressar na política e fazer uma história diferente. Pessoas com novas ideias e projetos, que possam resgatar a alegria e as perspectiva de um futuro melhor para o povo brasileiro e também para a população codoense”, afirmou.
Francisco Nagib também disse estar muito satisfeito em receber Fernando Santana no partido, para fazer parte das fileiras do PDT no município. “Para nós é uma alegria muito grande estar presente aqui no lançamento da pré-candidatura a vereador de Fernando Santana, entre mais de trezentos correligionários. A cada dia, o PDT codoense recebe adesões de lideranças que acreditam que é possível a construção de uma cidade que seja orgulho de todos os codoenses”.
Ascom

“Apocalipse” interrompe partida de beisebol nos Estados Unidos

1_20160326141338814031u-250860Uma nuvem de formato pouco convencional foi responsável pela interrupção de uma partida de beisebol no estado norte-americano da Flórida. Houston Astros e Atlanta Braves disputavam um jogo de pré-temporada da Major League Baseball (MLB), nesta sexta-feira, dia 25, quando surgiu a nuvem apocalíptica, que lembra uma das cenas do filme “Independece Day”.
20160326141456157024u-250873As duas equipes empatavam em 1 a 1 no momento em que a partida foi encerrada. A suspensão foi motivada, na verdade, pela possibilidade de uma tempestade. Mesmo assim, o Houston Astros não perdeu a oportunidade de brincar com a suposta nuvem do fim do mundo. “Jogo entre Astros e Braves é suspenso devido ao mau tempo e/ou apocalipse”, noticiou o time em seu site oficial.
A foto do céu no momento do jogo fez sucesso na internet. Alguns usuários criaram montagens mostrando a nuvem como um disco voador e com demônios surfando sobre ela.

Por que os policiais se matam: pesquisa traz números e relatos de suicídios de PMs

160323002533_policiais_bope_governo_bahia_640x360_governodabahia_nocreditJoão, policial do Batalhão de Choque, suicidou-se dentro da unidade, aos 32 anos. Descrito pelos amigos como extrovertido, comentou com eles, certo dia, que tinha problemas e estava separado da mulher. Matou-se no mesmo dia e deixou duas cartas, uma para ela e uma para o pai.
Regina, de 27 anos, tinha o sonho de entrar para a polícia. Era solteira, não tinha filhos e morava sozinha. Matou-se com um tiro na cabeça, dentro de casa.
Os nomes citados acima são fictícios, mas as histórias são reais. Estão contadas em “Por que os policiais se matam”, o mais completo diagnóstico sobre o problema do suicídio na Polícia Militar do Rio de Janeiro, resultado de uma pesquisa conduzida pelo GEPeSP (Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção), da Uerj, sob a coordenação da cientista política Dayse Miranda, em parceria com a PM fluminense.
O estudo, com coautoria de cinco psicólogos da Polícia Militar e de pesquisadores da Uerj de diferentes áreas, investiga fatores que levam ao suicídio de policiais e inova ao propor um plano de prevenção do comportamento suicida – com ações que incluem desde palestras até um treinamento para os profissionais de saúde da PM fluminense. O livro será lançado no dia 30 de março no Rio, no seminário “Prevenção do comportamento suicida entre policiais militares”.
Alguns resultados da pesquisa do GEPeSP foram revelados pela BBC Brasil em agosto de 2015: de 224 policiais militares entrevistados, 10% disseram ter tentado suicídio e 22% afirmaram ter pensado em suicídio em algum momento. Em contrapartida, 68% disseram nunca ter tentado nem pensado em se matar.

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Agora, a íntegra da pesquisa traz números e relatos dramáticos do suicídio de policiais, investigando seus possíveis fatores – diretamente associados a problemas como falta de reconhecimento profissional, maus-tratos e quadros depressivos. Outra queixa frequente é a transferência, para a família, de relações violentas comuns no quartel.
De acordo com dados citados na pesquisa, cuja fonte é a própria Polícia Militar, de 1995 a 2009 foram notificados 58 casos de suicídio de policiais militares no Rio, mais 36 tentativas de suicídio. Dos 58 óbitos por suicídio de PMs da ativa, três aconteceram em serviço e 55 nos dias de folga. Foram em média três suicídios a cada ano. O número de mortes por suicídio na folga foi 18 vezes maior do que em servia.
A pesquisa alerta, porém, para a subnotificação do problema: “As entrevistas com profissionais de saúde da PMERJ sugerem que muitos dos casos de suicídios consumados e tentativas de suicídio não são informados ao setor responsável por inúmeras razões. Entre elas, estão as questões socioculturais – o tabu em torno do fenômeno; a proteção ao familiar da vítima (a preservação do direito ao seguro de vida) e a existência de preconceito ao policial militar diagnosticado com problemas emocionais e psiquiátricos”, afirma o livro.
Com base nos dados, os pesquisadores estimaram o risco relativo das mortes por suicídio de PMs (homens e mulheres) em comparação ao da população geral do Estado entre 2000 e 2005. Concluíram que o risco relativo de morte de PMs por suicídio foi quase 4 vezes superior ao da população geral.

Algozes e vítimas

A Polícia Militar fluminense tem histórico de ações violentas, com envolvimento de policiais militares com casos emblemáticos como a tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013. Pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos mostram que PMs do Rio matam muito.
Segundo estudo do sociólogo Ignacio Cano apresentado no ano passado no 9º Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Rio de Janeiro era, em 2014, o Estado com maior taxa de letalidade na ação policial, ou seja, tinha o maior número de pessoas mortas pela polícia para cada 100 mil habitantes.
A novidade do trabalho do GEPeSP é justamente mostrar o policial não só como algoz, mas também como alguém em sofrimento psíquico.
Ao longo do trabalho, os pesquisadores da Uerj e os psicólogos da PM entrevistaram 224 policiais voluntários e investigaram mais 26 casos de suicídio de PMs de 2005 a 2009, conseguindo assim traçar um perfil dos suicidas. Concluíram que o praça (sargento, cabo ou soldado) do sexo masculino, de 31 a 40 anos, é a principal vítima de suicídio.
Segundo o Grupo de Atendimento aos Familiares de Policiais Militares Falecidos, desses 26 policiais que se mataram, só dois eram mulheres; 55% tinham de 31 a 40 anos. Quatorze eram casados ou viviam em união consensual; 14 tinham pelo menos um filho; nove foram definidos pelos parentes como brancos e 17 pardos.
Dos 26, dez eram evangélicos; 23 eram praças (sargentos, cabos e soldados); dois coronéis e um subtenente. Em relação à situação funcional, 19 eram da ativa e sete eram inativos. Dos 26, 13 trabalhavam em unidades operacionais e três em unidades administrativas.
Com base nas entrevistas dos 224 policiais e nos diagnósticos com as famílias de 26 policiais suicidas, os pesquisadores elencaram possíveis fatores para o sofrimento psíquico, culminando com as tentativas de suicídio e o suicídio em si.
Esses fatores incluem: rotina de agressões verbais e físicas (perseguições/amedrontamento, abuso de autoridade, xingamentos, insultos, humilhações); insatisfação com a PM, no que concerne a escala de trabalho, infraestrutura, treinamento, falta de reconhecimento profissional, falta de oportunidades de ascensão na carreira e desvalorização pela sociedade; indicadores de depressão variados e problemas de saúde física.
“Vemos uma interface de tensão entre o mundo do trabalho, com o policial está sujeito a relações abusivas, e o mundo fora do trabalho, quando o policial doente reproduz relações violentas. Tudo isso num contexto em que o policial tem acesso a uma arma, o que facilita qualquer ato violento. Outros profissionais também têm problemas no trabalho. Mas não têm uma arma na cintura”, analisa Dayse Miranda, coordenadora da pesquisa e organizadora do livro.

Plano de ação

“Por que os policiais se matam?” propõe dois tipos de intervenção para redução do risco de suicídio entre policiais. Uma de cunho geral, com palestras, gestão de pessoal (revisão das escalas de trabalho), gestão de logística (melhores locais para refeições e alojamento), formação e treinamento; e outra mais específica, voltada para o atendimento do policial em situação de risco.
Entre as estratégias específicas está a criação de um protocolo sobre como lidar com um potencial suicida, considerando os níveis de risco. Outro ponto importante é o alerta sobre o uso de arma de fogo. Em casos extremos, em que o policial for considerado de alto risco de cometer suicídio, pode-se providenciar para que sua arma seja recolhida.
“Retirar a arma de um policial não é simples, principalmente no caso de um policial doente. Outra dificuldade é que não há uma regra que defina em que circunstâncias de se acautelar a arma de fogo”, afirma Dayse Miranda.

“Sofrimento psíquico constitui preocupação”, diz comando da PM.
Procurado pela BBC Brasil para comentar o livro, o comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Edison Duarte dos Santos Junior, afirmou, em entrevista por e-mail, que a corporação tem ciência dos problemas de saúde física e mental enfrentados pelos policiais, sobretudo no que diz respeito aos afastamentos por problemas psiquiátricos.
“O sofrimento psíquico constitui preocupação por parte do comando da PMERJ, que tem dedicado esforços para o oferecimento de suporte psicológico para seus integrantes de forma ampliada, descentralizada e voluntária. Embora seja necessário aprimorar mais ainda a prestação de assistência psicológica, é preciso ressaltar que a PMERJ é a única Corporação no país que dispõe de quadro com 95 oficiais psicólogos, distribuídos em unidades de saúde (hospitais e policlínicas), operacionais (batalhões), unidades de ensino e formação, de seleção de pessoal, e unidades administrativas, tanto da Capital, quanto do interior do Estado”, afirmou o comandante.
Segundo o coronel Duarte, o principal programa de prevenção em saúde biopsicológica na PMERJ é o Serviço de Atenção à Saúde do Policial Militar (SASP), citado na pesquisa da Uerj, com equipes multidisciplinares que realizam avaliações gerais de saúde obrigatórias uma vez por ano para todos os PMs da ativa. Policiais que apresentam sofrimento psíquico são encaminhados para tratamento psicológico.
Ainda sobre a pesquisa da Uerj, o coronel Duarte afirmou ter interesse em realizar ciclos de palestras para os comandantes, diretores, coordenadores e chefes de todas as unidades, operacionais ou administrativas, para que eles possam efetivamente conhecer dos resultados e os fatores de risco de suicídio, além de aprender a lidar com o problema.
“Este é mais um desafio a ser enfrentado por todos na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O comando da PM terá sempre o cuidado de dar atenção total à saúde física e mental e ao bem-estar do policial militar”, afirmou Duarte.

Nesta fase do impeachment, situação de Collor era melhor que a de Dilma

downloadA seu favor, a presidente Dilma Rousseff tem a capacidade de mobilização de setores historicamente próximos a seu partido, o PT. Por outro lado, na comparação com a mesma fase do processo de impeachment contra Fernando Collor, ela é alvo de um maior número de acusações de crime de responsabilidade.
Essa é a avaliação do deputado estadual Ibsen Pinheiro, líder do PMDB gaúcho e uma das principais testemunhas do início da queda do ex-presidente.
Segundo o peemedebista, que aceitou o pedido de afastamento do hoje senador e presidiu a Câmara dos Deputados durante o processo, o “clima” para o impeachment está em um “acelerado” processo de mudança, com uma piora da situação de Dilma por causa da delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) e da revelação de conversas com o ex-presidente Lula, mesmo que elas sejam consideradas judicialmente ilegais.
Ele faz uma previsão: se a votação for apertada, a presidente tende a escapar do impeachment. “Se for necessário convencer deputado, cantar deputado e contar deputado, é porque não haverá o clima avassalador que reduziu a pó a maioria que tinha o presidente Collor antes da votação”, diz, ao explicar que a situação à época foi definida por causa do “pequeno”, mas “vergonhoso” episódio do veículo Fiat Elba adquirido com recursos provenientes de corrupção.
Para Pinheiro, assim como Collor, os próximos fatos é que selarão o destino de Dilma. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
BBC Brasil- Em julho passado, o sr. disse à BBC Brasil que não via uma crise político-institucional e, por isso, não havia clima para impeachment. E agora?
Ibsen Pinheiro -Lembro de ter dito que faltavam dois elementos: o primeiro é técnico, é o jurídico, a tipificação da conduta. E o segundo é o político-popular. Ninguém cogita destituir o presidente por um fato menor, ainda que bem definido, como a pedalada fiscal. Não me parecia fundamento para um impeachment, e também não via a presença do sentimento popular.
Bom, as coisas se alteraram, especialmente após a delação do senador Delcídio do Amaral envolver a presidente e o ex-presidente Lula. Posteriormente, as gravações determinadas pelo juiz Sergio Moro trazem também a presença dos dois em atividade que, em tese, alguns já definem como tentativa de intervenção em investigação judicial. O que aí teria também a característica de configurar, em tese, crime de responsabilidade.
O sentimento popular agora tem um grau de mobilização espontânea muito significativo, e a definição do fato corresponde à tipificação do crime de responsabilidade.
BBC Brasil -Mesmo ainda sem comprovação, a delação do Delcídio piora muito a situação da presidente?
Ibsen Pinheiro -A comprovação é um pré-requisito essencial, mas, num processo de impeachment, o julgador, que é o deputado no primeiro momento e o senador no segundo, não é um técnico nem um jurista, salvo exceções.
Um exemplo concreto: houve um senador que foi gravado incidentalmente, pois o monitorado era seu interlocutor, por decisão de um juiz de primeiro grau. Logo faltava a decisão do foro especial, que é o Supremo. Falo do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Num processo criminal, essa prova não pode ser usada, mas o senador perdeu o mandato por causa dessa conversa. Porque o julgamento político ocorreu: “não podemos ignorar esse fato, ele é verdadeiro e grave”. Então foi fundamento para a cassação.
BBC Brasil -É como se, no processo no Congresso, o imoral pesasse mais do que o ilegal?
Ibsen Pinheiro -Num processo político, o fundamento moral tem mais peso. Mas o peso decisivo é o fundamento político aliado à percepção dos fatos. Se o fato está comprovado, pouca relevância tem se essa comprovação surgiu com o devido processo legal ou por uma escuta ilegal.
BBC Brasil -A Comissão Especial está instalada, e já corre o prazo para a defesa da presidente. O que é determinante agora?
Ibsen Pinheiro -A primeira manifestação relevante da comissão vai ser a última, que é o parecer. Ela agora está fazendo reuniões que a rigor são preparatórias, não houve a defesa ainda. Ela vai ouvir especialistas, juristas, mas essa é uma atividade mais midiática do que de conteúdo. Embora possa ser útil, claro, para discutir em tese o problema.
BBC Brasil -Se formos comparar com o mesmo momento do caso Collor, em 1992, a situação de Dilma é melhor ou pior?
Ibsen Pinheiro -Melhor num aspecto e pior num outro. Pior porque o volume de acusações compatíveis com a definição do crime de responsabilidade é maior por causa da quantidade de delações, das entrevistas e das gravações.
No caso de Collor, as acusações pesadíssimas não eram contra ele, eram contra PC Farias. As acusações de cumplicidade eram importantes do ponto de vista político, mas não tiveram comprovação. A entrevista do irmão, do motorista, eram genéricas: Passavam a ideia de verdade, mas não tiveram comprovação. Um pequeno fato, e vergonhoso, foi o fator decisivo: o Fiat Elba.
A situação dele, até o Fiat Elba, era menos carregada de acusações de crime de responsabilidade.
BBC Brasil -E em que ponto Dilma está em melhor situação?
Ibsen Pinheiro -Ela pode estar minoritária, mas não está isolada. Ao contrário do Collor, foi candidata de um grande partido, o PT, e com apoio de um partido pequeno, mas com grande tradição política, o PC do B. E esses partidos têm base e têm inserção social, especialmente em alguns setores da vida sindical e estamentos sociais de grande vinculação política e ideológica com o PT. É um número significativo, como se viu nas manifestações a favor do governo.

Eu diria que a opinião pública mobilizou-se a favor do impeachment, esse é o sentimento generalizado. Mas que os setores dos quais o PT tem ramificações, influência e história, junto com o PC do B, têm uma capacidade de mobilização significativa.
BBC Brasil -Se o sr. pudesse fazer uma aposta agora, diria que ela vai cair?
Ibsen Pinheiro -Não há clareza hoje para afirmar. Escuto e leio com frequência que a presidente precisa de 172 votos. Não, não precisa. Ela precisa que os votos contra, as abstenções e as ausências somem 172 deputados.
Então, em vez de responder sim ou não, vou responder condicionado: se for por votação apertada, acho que não passa (o impeachment). Se for necessário convencer deputado, cantar deputado e contar deputado, é porque não haverá o clima avassalador que reduziu a pó a maioria que tinha o presidente Collor antes da votação.
BBC Brasil -Esse clima existe agora?
Ibsen Pinheiro -O clima está em um processo de mudança muito acelerado. E ele depende de fatos também. Doutor Ulysses (Guimarães) dizia que tudo é importante na vida política, mas a cadeira principal pertence à sua excelência, o fato. Não posso adivinhar nem especular, mas pode ocorrer algo que altere profundamente a situação.
Lembro que o Collor, no começo, tinha do seu lado duas das maiores bancadas – o PDS, antiga Arena, e o PFL. E tinha outra bancada grande, que era de quase uma centena de deputados do PMDB. Sei bem porque era o líder da bancada, tínhamos 235 deputados. E desses, quase uma centena votou a favor do confisco da poupança, embora a liderança tenha combatido tenazmente. E votaria com o Collor no caso do impeachment.
Mas a sucessão dos fatos – a entrevista do irmão, do motorista, o Fiat Elba -, devastou (o apoio).
BBC Brasil -O PMDB está ensaiando um rompimento com o governo. Como o senhor avalia isso?
Ibsen Pinheiro -É uma profunda alteração e aceleração de um sentimento do PMDB. Vejo festejando de um modo singular, porque o PMDB gaúcho foi contra essa coligação antes da eleição. Tivemos de dizer ao Michel Temer que o apreço que tínhamos por ele não seria afetado, mas nós não votaríamos na chapa que integrava.
Nunca quisemos essa parceria porque nunca apreciamos as políticas públicas do PT. Entendemos como profundamente equivocado você fundamentar políticas sociais no endividamento. Isso é cruel com os supostos beneficiários. Porque quando essa política não se sustenta, são os mais vulneráveis que pagam a conta.
Não fizemos nenhuma indicação ao governo Dilma. Não houve nenhum representante do PMDB gaúcho.
BBC Brasil -Mas o Eliseu Padilha esteve lá, na Aviação Civil.
Ibsen Pinheiro -Mas não representava o PMDB gaúcho. Foi porque recebeu um convite pessoal. Antes dele foi o Mendes Ribeiro (na Agricultura, morto no ano passado). Nós convivemos com isso, o PMDB não expulsa os seus divergentes. Ainda bem, porque já fui divergente. Eles não representavam o PMDB gaúcho. Representavam o PMDB nacional? Pode ser.
Agora, o sentimento pela saída é muito forte. Nesta semana o deputado Osmar Terra, na reunião da Executiva, nos informou que já são 13 os diretórios estaduais que apoiam o afastamento. Treze é a um diretório da maioria absoluta. Embora a votação não seja por diretório, e sim por membro do Diretório Nacional, intuo que está se construindo um sentimento muito amplo pelo afastamento.
Não sei se é necessariamente pelo impeachment, não é isso que estará se votando.
BBC Brasil- Por quê?
Ibsen Pinheiro -Houve um fato que agravou em muito (a relação), que foi a posse do ministro Mauro Lopes (deputado do PMDB, na Aviação Civil). Ora, foi uma decisão unânime da Convenção Nacional que o PMDB, neste prazo para estudar o afastamento, não aceitasse nomeação.

O PMDB não gostou da atitude de seu deputado e não gostou também da atitude da presidente, pareceu uma afronta ao PMDB. Ela poderia ter esperado mais duas semanas para fazer a nomeação depois da reunião do Diretório Nacional. Este fato incrementou enormemente a tendência pelo afastamento. É o mais provável hoje.
BBC Brasil -Mas o partido não fica numa situação complicada, já que também tem sido implicado nas delações e nas investigações da Lava Jato?
Ibsen Pinheiro -A delação premiada, quando aponta o nome, isso não é bom para quem é apontado. Mas não basta dizer que fulano também participou porque indicou, nomeou, pois isso não pode ser crime de responsabilidade. Senão a Dilma responderia pelos atos de todos os quadros que ela nomeou.
Não se vê em relação ao Temer uma prova, nem sequer uma acusação. A não ser a de ter responsabilidade política nas nomeações do PMDB. Mas crime de responsabilidade, não há nenhuma acusação.
BBC Brasil -E não é complicado sair depois detodos esses anos ao lado do PT?
Ibsen Pinheiro -Se o PMDB se afasta, poderá dizer a verdade, que é convincente: que esteve durante anos no governo, mas não esteve no poder, que está nas mãos exclusivamente do presidente da República.
O PMDB esteve no governo com ministros, mas nunca esteve no poder, que é o que define o principal: a política econômica, a financeira, a externa, a de defesa. Tudo isso é o presidente sozinho.
BBC Brasil -O sr. dizia acreditar que Eduardo Cunha não agiria “com seus humores” sobre o impeachment. Mas ele acabou aceitando o pedido logo após ficar claro que o PT votaria contra ele no Conselho de Ética…
Ibsen Pinheiro -Tenho a impressão que ele agiu olhando para o seu projeto de sobrevivência. Isso não chega a ser anormal, o político está sempre vinculado à sua sobrevivência ou a seu crescimento político. Por isso alguns erros graves se praticam.
Na véspera eu disse: ele vai acolher o pedido. Porque a sobrevivência dele, o cacife dele, está na administração do processo de impeachment. Isso foi tão verdadeiro que em grande parte, por causa disso, ele conseguiu trabalhar o retardamento do seu processo no Conselho de Ética.
Há um processo de sustentação mútua e recíproca entre a Presidência da República e a Presidência da Câmara. Ambas se sustentam uma com o fantasma da outra. Mas, a essa altura, esse fator é irrelevante. Há uma consciência clara de que a pauta tem como primeiro ponto o impeachment, e depois fica aberta para a questão do processo de cassação.
BBC Brasil -O sr. acha que o Cunha, como réu da Lava Jato e alvo de processo de cassação, tem condições de tocar o processo de impeachment?
Ibsen Pinheiro -O quadro perfeito seria que o presidente da Câmara tivesse imparcialidade e uma imagem intocada. Mas infelizmente a escolha nem sempre é feita por esse critério. Então se elegem pessoas com imagem desgastada, devastada. Às vezes injustamente. Outras vezes com procedência bem clara, como é o caso atual.
Mas na função de presidir (o processo), o perfil moral do condutor não é relevante. Porque a legalidade é muito precisa, muito clara, muito expressa. O que ele tem de fazer, está fazendo. A Câmara instituiu a Comissão Especial, que vai dar um parecer, que vai a voto. Sim, não, abstenção e ausência. A Presidência da Câmara tem um papel importante na condução formal, mas no conteúdo não tem papel nenhum.