Ministério da Saúde confirma 98 mortes por febre amarela no país

O número de casos confirmados de febre amarela no Brasil subiu para 353, com 98 mortes, entre 1º de julho de 2017 e esta terça-feira (6). O Ministério da Saúde atualizou nesta quarta-feira 7 as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação da febre amarela no país.

Ao todo, segundo a pasta, foram notificados 1.286 casos de febre amarela suspeitos, sendo que 510 foram descartados e 423 permanecem em investigação, neste período. No mesmo período do ano anterior, foram 509 casos e 159 mortos. Desde o ano passado, a sazonalidade da doença, que acontece em sua maioria no verão, passou a nortear os boletins e o período de análise considera de 1º de julho a 30 de junho de cada ano.

O Estado de São Paulo lidera o número de casos, segundo o boletim do Ministério da Saúde, com 161 confirmados, 41 mortes e 204 em investigação. Em seguida está Minas Gerais, com 157 casos confirmados , 44 mortes e 85 em investigação. O Rio de Janeiro confirmou 34 casos, doze mortes e está investigando mais três casos. Além destes estados, apenas o Distrito Federal confirmou uma morte por febre amarela.

Segundo o ministério, não há registro confirmado de febre amarela urbana no país. O caso de febre amarela em São Bernardo do Campo (SP) está sendo investigado por uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, o que inclui o histórico do paciente e captura de mosquitos para identificar a forma de transmissão na região.

O Ministério da Saúde esclarece que todos os casos de febre amarela registrados no Brasil desde 1942 são silvestres, inclusive os atuais. Isso quer dizer que a doença foi transmitida por vetores que existem em ambientes de mata (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes). Além disso, o que caracteriza a transmissão silvestre, além da espécie do mosquito envolvida, é que os mosquitos transmitem o vírus e também se infectam a partir de um hospedeiro silvestre, no caso o macaco.

Surto

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, afirma que o país enfrenta um dos piores surtos de febre amarela das últimas décadas. Os números apresentados atualmente só perdem para 2017, ano em que a doença foi confirmada em 777 pacientes. “Trata-se do mesmo surto. Uma onda que teve início em 2016”, explicou.

Para ela, o avanço de casos de febre amarela no país, mesmo depois do início da campanha de vacinação nas cidades de São Paulo e Rio consideradas de maior risco para a doença, não surpreende. “Temos de considerar que os casos agora incluídos nos boletins não ocorreram nesta semana. Há sempre um atraso entre a infecção, a confirmação da febre amarela e notificação para os registros oficiais”, observou.

Esse descompasso, avalia Isabella, acentua-se ainda mais em situações de surto. “Os sistemas estão sobrecarregados. Médicos, diante da suspeita da doença, também notificam muito mais e é bom que seja assim”. A expectativa de especialistas é de que, dentro dos próximos dias e com a melhoria da cobertura vacinal, a velocidade do avanço da doença comece a diminuir.

Isabella, contudo, alerta que dois problemas graves ainda estão ocorrendo. “Pessoas com indicação da vacina não estão se vacinando e aqueles com contraindicações insistem em se imunizar. Seja integral ou fracionada, a vacina é eficaz e segura. Mas tem contraindicações, que devem ser observadas”, disse. É o caso de idosos. Eles somente devem ser vacinados em áreas onde há circulação de vírus. Mulheres que estão amamentando bebês menores de 6 meses e vivem em área de risco, por sua vez, devem consultar o pediatra.

Campanha

A campanha de vacinação contra a febre amarela, com a dose fracionada, começou no dia 25 de janeiro nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A campanha de vacinação na Bahia começa no dia 19 de fevereiro.

O fracionamento das vacinas é uma medida preventiva e recomendada pela  Organização Mundial de Saúde (OMS) quando há aumento de epizootias – morte de primatas em decorrência da doença – e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional.

Segundo o ministério, a dose fracionada tem apresentado a mesma proteção que a dose padrão. Entretanto, há divergência quanto ao tempo de validade da vacina: enquanto o Ministério da Saúde garante que a dose vale por oito anos, a OMS diz que a imunização fracionada funciona por apenas um ano.

(com Estadão Conteúdo)

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