Jornalistas que ouviram Lula na prisão criticam decisão de Moraes

A jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e o jornalista americano Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, criticaram a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ambos entrevistaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando ele esteve preso, entre 2018 e 2019.

A decisão de Moraes foi tomada após Flávio divulgar uma carta escrita por Bolsonaro. Além de impedir as visitas do senador, o ministro determinou que a defesa explique a divulgação do documento e manteve a proibição de comunicação do ex-presidente com o público.

Mônica Bergamo relembrou que precisou de autorização do STF para entrevistar Lula na prisão, após divergências entre ministros da Corte sobre o direito do então ex-presidente de falar com a imprensa. Para a jornalista, a nova decisão levanta dúvidas sobre os limites da restrição imposta a Bolsonaro.

– Você cassar totalmente o direito dele à palavra não vai nunca passar em branco e não vai nunca ser totalmente aceito. Qual a dificuldade do Bolsonaro poder falar se ele não tá atacando o Supremo, se ele não tá atacando as instituições? Ele não pode mandar uma carta, né, divulgar uma carta falando “meu filho é meu porta-voz”? Vai ser polêmica mesmo essa medida e vai ter muita discussão – disse.

Greenwald também comparou os dois casos. Segundo o jornalista, Lula foi autorizado pelo STF a conceder entrevistas em nome da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, enquanto Bolsonaro foi impedido de manter contato com o filho após a divulgação de uma carta.

– Também entrevistei Lula quando ele estava preso, depois que o STF autorizou isso em nome da liberdade de expressão e de imprensa, e também estou tentando entender por que isso pôde acontecer, mas Bolsonaro não pode ver o filho porque uma nota foi publicada – lembrou ele.

O jornalista acrescentou que a comunicação de Lula durante a prisão não se limitou às entrevistas. Segundo ele, o petista enviava cartas com frequência enquanto estava preso, inclusive uma destinada ao próprio Greenwald.

Além das entrevistas, Lula escreveu dezenas de cartas durante o período em que esteve preso em Curitiba. Uma delas foi divulgada durante a campanha presidencial de 2018 e lida em ato de apoio a Fernando Haddad (PT), ocasião em que o então ex-presidente pediu votos ao candidato que o substituiu na disputa eleitoral.

Confira:

 

 

 

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