Um curso de formação católica na cidade de Luziânia (GO), entorno do Distrito Federal, virou um palanque para pedidos de votos ao candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL). Líder espiritual da Comunidade Mel de Deus, Débora Mendes disse que caso Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja eleito presidente, a comunidade não poderá mais “pregar sobre viadagem” ou “sacanear e fazer humor com tudo e com todas as coisas”.
A cerimônia ocorreu no último dia 3 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições, e foi transmitido ao pela página da Comunidade. Após a repercussão negativa, o vídeo foi reitrado do ar. Na ocasião, os espectadores foram instruídos a votarem em Bolsonaro no segundo turno, que ocorre no próximo dia 30. “Ele, nem de longe, nem de perto, é a melhor pessoa para governar, mas na conjuntura atual, é a única (pessoa) que consegue levar pancada e fazer enfrentamento contra a esquerda”, disse Débora.
Veja o vídeo com trechos da pregação:
As falas da religiosa têm circulado em grupos de Whatsapp da região e ganharam maior repercussão nesta segunda (17/10). Na pregação, Débora afirma que o voto em outro candidato seria apoio ao que ela classifica como “ideologia de gênero”. “É o sem gênero. Você é qualquer coisa que você puder ser. Essa ideologia aguçou a pornografia, o suicídios e a depressão”, disse Débora.
A líder espiritual seguiu a pregação reproduzindo uma popular notícia falsa, o “kit gay”, usada a exaustão durante a campanha presidencial de 2018, onde o candidato Fernando Haddad (PT) distribuiria materiais eróticos para crianças da cidade de São Paulo. “Eu vou falar bem rasgado com vocês para vocês entenderem. Pênis, mamadeira de pênis em São Paulo para crianças de 2 a 6 anos, Haddad colocou. Certo?”, afirmou a pregadora.
A líder disse ainda ter se certificado pessoalmente com cada integrante da comunidade de que nenhum deles votaria em Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu não acredito que na comunidade tem algum petista, né? Porque nem pode ter. É um plano de governo. E está lá escrito ‘agenda: aborto’”. De acordo com Débora, haviam três pessoas “mal informadas” que votariam no Partido dos Trabalhadores, mas que, após conversarem com ela, teriam mudado os votos.
Débora seguiu a pregação insistindo que o PT tem uma cartilha junto à Organização das Nações Unidas (ONU) que incentiva o aborto. Apesar de não existir menção ao aborto no documento de Diretrizes de Governo entregue pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a líder religiosa insistiu na informação. “Está escrito lá. Implantação toda a cartilha da ONU, que é do inferno, está lá escrita”.
“Agora porque que no nordeste ganham? Só tem uma antena parabólica e a Globo. Não tenho outro recurso”, disse Débora, ao justificar a vitória do candidato petista na região. Ela seguiu o discurso sobre a influência da mídia no processo eleitoral e criticou a Música Popular Brasileira (MPB). “Infelizmente, foi financiado o tempo todo para fazer a inculturação das ideias. […] A música é o canal mais forte, ela está sobre o domínio de satanás”.
O Correio tentou contato com Débora Mendes e com a Comunidade Mel de Deus, mas não obtivemos resposta até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
O que diz a igreja
O Bispo Diocesano de Luziânia, Dom Waldemar Dalbello, informou ao Correio que ligou pessoalmente para Débora Mendes na manhã desta segunda-feira (17/10) para reforçar o pedido de cumprimento das normas católicas. “Uma jovem leiga que fez essas afirmações em uma formação interna. Os fiéis mais leigos, aqueles que não são padres nem bispos, mas têm funções, recebem essas orientações de reforço”, disse o Bispo.
O que ela falou é verdade, se esse demônio for eleito o país vai virar uma zona .