Doria disputa com Ciro quem primeiro morrerá pela boca

Assim como Ciro Gomes (PDT), que já disputou três eleições presidenciais e perdeu duas de tanto falar o que não devia, João Doria (PSD), governador de São Paulo, que pretende disputar sua primeira no ano que vem, corre o mesmo perigo.

E não é por falta de avisos. Todas as pesquisas de intenção de voto que ele conhece registram que seu alto grau de rejeição decorre do fato de tentar faturar politicamente no papel de pai da vacina contra a Covid-19. O pai é ele, mas não precisa dizer isso.

Ciro e Doria são encantados pela própria voz e não sabem impor limites à língua solta que têm. Ciro não perde uma ocasião de bater em Lula e no PT como se dependesse deles para chegar ao segundo turno da próxima eleição. Depende da queda de Bolsonaro.

Doria não desperdiça uma única oportunidade de se contrapor a Bolsonaro, a quem se aliou para eleger-se governador. Para ele, não basta admitir que errou, errou feio ao votar em Bolsonaro para presidente, e que quer agora reparar seu erro.

Quer nada, pensa a maior parte dos eleitores. Diz que quer porque é candidato contra Bolsonaro e quem mais cruzar seu caminho. E Doria segue em frente como uma retroescavadeira desgovernada a cavar buracos que acabarão por engoli-lo.

A mais recente atuação de Doria à moda Ciro deu-se depois de Bolsonaro ter dito em Brasília que “tem uns idiotas aí, o fique em casa. Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa”. Em visita ao interior de São Paulo, Doria matou no peito e chutou:

“O presidente da República chamou de idiotas nós que usamos máscaras. Nós que protegemos nossos pais, nossos avós em casa, chamou de idiota. Idiota é ele, que não tem compaixão, que não tem amor no coração e que não quer proteger o seu povo.”

Doria não aprende. Quando acordar poderá ser muito tarde.

Por RICARDO NOBLAT

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