A catação do coco de babaçu é uma atividade antiga, mantida há séculos por comunidades tradicionais do campo no Maranhão. Mas, com o tempo, a região dos babaçuais nativos passou a abrigar também propriedades privadas, o que tem provocado conflitos entre fazendeiros e catadoras de babaçu.
A caminhada até o palmeiral para apanhar o babaçu quase sempre é embalada pela música. Mas em alguns lugares é proibido cantar, e em outros não se pode nem entrar.
Babaçu livre é o nome de uma lei que assegura a entrada das quebradeiras nos palmeirais de alguns lugares. Dos 217 municípios do Maranhão, apenas 15 têm leis que garantem o acesso livre aos babaçuais.
Uma das áreas com mais conflitos nessa luta é a chamada Baixada Maranhense. A região compreende vários municípios. É uma planície que alaga na estação chuvosa e, de tão rica em biodiversidade, foi decretada área de proteção ambiental.
No município de Matinha, a área é quilombola, já demarcada. José Ribamar, de 78 anos, descendente dos fundadores do quilombo São Caetano lembra que não havia dificuldade para catar o babaçu na época de seus pais e avós.
“[A terra] era nossa mesmo, a gente ia para o lado que queria juntar. Não tinha cerca, não tinha um fim de arame sequer nesses terrenos aqui.”
Anny Linhares, coordenadora de territórios tradicionais do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), confirma.
“Por conta do processo de privatização da terra que ocorreu lá, ao longo do tempo, essas mulheres foram impedidas de acessar áreas de uso comum, áreas que costumeiramente elas já acessavam para desenvolver suas práticas. E o que acontece em Bom Jesus e São Caetano acontece em outros quilombos do estado”, diz.
O território quilombola não está totalmente regularizado e, assim, os conflitos continuam.
As quebradeiras dizem que se não pegarem o babaçu silenciosamente e forem embora, “a dona do coco” aparece e toma o que elas recolheram. A proprietária da terra fica com metade do coco.