
A dívida pública brasileira alcançou R$ 10 trilhões em outubro, o equivalente a 78,6% do PIB, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O avanço de 0,6 ponto percentual em relação a setembro reforça a tendência de piora no quadro fiscal e acende um alerta entre analistas e investidores.
Mesmo com o superávit primário de R$ 36 bilhões registrado pelo governo central no mês — montante que considera União, INSS e Banco Central, mas exclui empresas estatais — o resultado não foi suficiente para conter o aumento do endividamento. A receita líquida cresceu 4,5%, mas as despesas totais praticamente dobraram, pressionando a dinâmica das contas públicas.
Déficit primário já supera meta fiscal de 2025
No acumulado do ano, o déficit primário alcançou R$ 63 bilhões, valor superior ao registrado no mesmo período de 2024 e mais que o dobro da meta fiscal de 2025, estabelecida em R$ 30 bilhões. O governo, entretanto, pode retirar do cálculo alguns itens extraordinários, como o pagamento de precatórios e o reembolso a vítimas de fraudes no INSS, o que pode aliviar o resultado oficial.
O aumento da arrecadação federal foi impulsionado, principalmente, pelo crescimento das receitas de Imposto de Renda e IOF, beneficiadas pelo desempenho da atividade econômica e pelo avanço da formalização no mercado de trabalho.
Em contrapartida, os maiores aumentos de gastos vieram das despesas discricionárias da saúde e dos benefícios previdenciários. Esses desembolsos foram influenciados pelo reajuste real do salário mínimo e pelo aumento do número de segurados, ampliando a pressão estrutural sobre o orçamento.
Dívida bruta acumula alta de 7 pontos no ano
A dívida bruta do governo geral, indicador acompanhado de perto pelo mercado financeiro, acumulou alta de 7 pontos percentuais desde janeiro. O índice inclui os passivos de estados e municípios e reflete o custo dos juros da dívida, considerado um dos principais termômetros da sustentabilidade fiscal do país.
Com o avanço persistente do endividamento e o ritmo elevado das despesas obrigatórias, economistas avaliam que o Brasil poderá enfrentar maior dificuldade para cumprir as metas fiscais nos próximos anos, o que pode pressionar juros, câmbio e expectativas do mercado.
Fonte: Poder Nacional
