PGR pede que apuração de joias dadas a Bolsonaro seja arquivada

AME681. BOGOTÁ (COLOMBIA), 11/09/2025.- Fotografía de archivo del 16 de agosto de 2025 del expresidente de Brasil Jair Bolsonaro saliendo del hospital DF Star, en Brasilia (Brasil). Durante años, Bolsonaro fue venerado como el “mito” de la extrema derecha brasileña, idolatrado por sus seguidores como el presidente que dio rienda suelta a los intereses de los sectores más conservadores de Brasil. Hoy ese mito se derrumba tras ser declarado culpable por golpe de Estado. EFE/ Andre Borges ARCHIVO

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou nesta quarta-feira (4), pelo arquivamento da investigação sobre as joias dadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Gonet avaliou que a legislação não é clara sobre a propriedade de um item presenteado em razão do cargo, ou seja, se é o presidente ou a União.

A natureza jurídica dos presentes ofertados a presidentes da República permanece controvertida, sem disciplina legislativa específica, sujeita a interpretações administrativas divergentes, inclusive no âmbito da sistemática do controle externo – escreveu o PGR.

Segundo a Polícia Federal, Bolsonaro e então assessores “atuaram para desviar presentes de alto valor recebidos em razão do cargo pelo ex-presidente para posteriormente serem vendidos no exterior”.

– Enquanto subsistir a lacuna legislativa sobre a natureza jurídica dos presentes ofertados a Presidentes da República, a incidência do Direito Penal revela-se incompatível com os princípios que delimitam o exercício legítimo do poder punitivo no Estado Democrático de Direito – disse Gonet.

– Os esforços dos indiciados, pois, para que os bens fossem levados a venda a terceiros não configuram atitudes expressivas do cometimento do crime submetido a escrutínio – complementou.

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Em julho de 2024, a Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e mais 11 no caso das joias sauditas. A corporação imputa ao ex-chefe do Executivo supostos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Na manifestação, Gonet ressalta o trabalho da PF de análise do caso e diz que não está excluída a hipótese de “sindicâncias de ordem não penal”.

– O enfoque desenvolvido nesta peça se limita à compreensão da adequação típica penal da conduta, sem pretender, obviamente, excluir sindicâncias de ordem não penal, até porque a análise não põe em dúvida que os fatos ocorreram com os protagonistas apontados – escreveu o PGR.

*AE

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