
A energia elétrica deve pesar ainda mais no bolso dos brasileiros em 2026. Projeções de consultorias especializadas apontam que a conta de luz vai subir acima da inflação, mantendo uma tendência de encarecimento que já vem sendo registrada nos últimos anos.
Alta confirmada nas tarifas
Em 2025, a energia elétrica residencial ficou 12,3% mais cara, enquanto a inflação fechou em 4,26%. Para este ano, a consultoria PSR prevê um aumento real de 4%, descontada a inflação. Já a Logos Economia projeta alta total de 5,6%.
Entre os fatores estão:
- Novos contratos entre distribuidoras e geradoras de energia.
- Descotização das usinas da Eletrobras, que deixam de vender energia abaixo do preço de mercado.
- Encargos e subsídios, como a Tarifa Social e incentivos a fontes renováveis.
Segundo a Aneel, os consumidores devem pagar R$ 47,8 bilhões em subsídios em 2026, alta de 15,4% em relação ao ano anterior.
Clima e reservatórios preocupam
O fenômeno El Niño pode reduzir o volume de chuvas no Norte e Nordeste, pressionando os reservatórios das hidrelétricas. Como o Brasil depende fortemente da geração hidráulica, isso aumenta a necessidade de acionar termelétricas, que têm custo mais elevado.
Edvaldo Santana, ex-diretor da Aneel, alerta:
“Ou gastar muito usando térmica ou usar as hidrelétricas com risco de ficar com reservatórios baixos.”
Esse cenário pode levar à volta das bandeiras amarela e vermelha, encarecendo ainda mais a conta de luz.
O peso da política e dos contratos
Um estudo da Abraceel mostrou que, nos últimos 15 anos, a tarifa de energia subiu 177%, contra uma inflação acumulada de 122%. Entre os motivos estão contratos de longo prazo indexados à inflação e decisões políticas em leilões de energia.
Exemplos recentes incluem:
- Extensão de contratos de termelétricas a carvão até 2040.
- Contratação compulsória de térmicas a gás natural e pequenas hidrelétricas.
Essas medidas, segundo especialistas, transferem riscos e custos diretamente para o consumidor.
O impacto no bolso
Com tarifas pressionadas por contratos, subsídios e clima desfavorável, o brasileiro deve enfrentar aumento expressivo na conta de luz em 2026, mesmo após um ano marcado por bandeira vermelha quase constante.
