Promotora repreende fala sobre Deus em evento e se diz ofendida

Na última sexta-feira (3), a promotora de Justiça Elayne Rodrigues criticou a abertura do XCI Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares, realizado no Teatro Raul Cortez, em Duque de Caxias (RJ). Ela afirmou que a referência a Deus no início da cerimônia, contrariava a Constituição e disse que chegou a avisar a organização de que deixaria o local caso fosse feita uma oração.

O encontro reuniu representantes da área da infância e adolescência, além da vice-prefeita Aline do Áureo (Solidariedade) e do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). O parlamentar anunciou, durante seu discurso, o envio de recursos para a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Ceperj).

Ao início do evento eu fui assolapada por uma oração evangélica. Preciso esclarecer à organização do evento e à associação que a fé é um direito privado, que não deve ser estendido a outras pessoas em um evento público. Eu não sou evangélica e me senti extremamente ofendida com o início da apresentação – afirmou a promotora.

Segundo relatos, a manifestação ocorreu durante a apresentação de um grupo de crianças. Enquanto os participantes trocavam de figurino, o instrutor leu um poema sobre o “abraço de Deus”, fato que motivou a reação da representante do Ministério Público.

Durante a fala, a presidente da Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro (Acterj) tentou dialogar com a promotora, mas o conteúdo da conversa não pôde ser ouvido no vídeo.

A promotora respondeu que não houve uma oração formal, mas uma “chamada a Deus” na abertura do evento. Ela também informou que havia enviado uma mensagem à organização alertando que, caso fosse realizada uma oração, o Ministério Público deixaria a cerimônia.

E continuou:

– Se a senhora começar a interferir na minha fala, na fala do Ministério Público, eu me retiro. Aqui represento o Ministério Público e tenho garantia constitucional para estar nesse local e ocupar esse espaço. Esse deboche ofende o Ministério Público e a Constituição – declarou.

PRESENTES
Pleno.News, ouviu pessoas presentes no evento, que disseram ter havido um constrangimento diante da reação da promotora

– Todos os presentes ficaram constrangidos com a ação – afirmou uma das fontes.

– Quem estava lá sabe que não houve oração. O coordenador de um projeto social leu um texto para a introdução de uma coreografia – relatou outra.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *