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Barriga: definitivamente um algoz do Flamengo

Taca Rio 2017, Flamengo x Vasco

Se tem uma coisa legal em semana de Flamengo e Vasco é que, inevitavelmente, o ser humano brasileiro irá se deparar com os gols de Rondinelli e Petkovic. É verdade que o de Cocada, por exemplo, também vem no pacote, mas a gente nem liga. Coisa pequena perto do tiro de cabeça e da cobrança angelical. Farão 40, 50, 100, 1.000 anos desses gols, e toda vez que um rubro-negro vi-los, vai sorrir. Silenciosa e timidamente, por dentro comemorará.

 

Em semana de Fla-Flu acontece o inverso. Podem vir com Zico, Leandro, Cássio, Adriano, Bottinelli… Infelizmente, o lance que mexerá com o torcedor será o de Renato Gaúcho. Até hoje nos lamentamos por aquele desvio. Desde 1995, a barriga é inimiga do Flamengo.

 

Quase 22 anos depois, um indício de que as coisas poderiam mudar. O jogo era Flamengo e Vasco, em Brasília, porém pelo Campeonato Carioca. A eles, valia bastante; a nós, não. Focado na Libertadores, o Mengão já está na semifinal do estadual e com a vantagem do empate. Mais uma das duzentas partidas entre a Universidad Católica e o Atlético-PR. Prova de que pouco nos importávamos é Réver. Sério nesse 2017, ele voltara a andar com o rei na barriga. Num lance de soberba, perdeu para Luís Fabiano. Gol do Vasco. Gol do Vasco sobre o Flamengo.

 

Opa, pera aí! O jogo era Flamengo e Vasco. Flamengo e Vasco vale sempre! Então acordamos pra vida e nos enchemos de apetite de vencer o rival. Foi-se a luz, voltou-se a luz, e com ela a dor de barriga: Leandro Damião era o nosso centroavante. De embrulhar o estômago saber que seu reserva, Felipe Vizeu, também carece de intimidade com a bola. Guerrero faz falta, Diego faz muita falta. Desfalcado deles e de Trauco, o Mengão não conseguia ser incisivo, mas teve a chance de ouro de levar o empate para o vestiário. Pará não quis ser fominha e pôs à prova o poder de decisão de Leandro Damião…

 

Com o futebol de Willian Arão e Pará acima do que vêm apresentando, o Flamengo voltou melhor para o segundo tempo. E, logo aos 8 minutos, ela entrou em ação. Luís Fabiano escorregou, deu uma entrada por trás em Márcio Araújo, recebeu justo cartão amarelo e ficou bravo; foi para cima do juiz. Inovou, deu uma barrigada em Luís Antônio Silva Santos. Peitada de umbigo do atacante sobre o árbitro, que, aparentemente, simulou ter sofrido uma cabeçada. Quem não é rubro-negro nem vascaíno deve ter ficado com dor de barriga de tanto rir da cena. Teatro à parte, expulsão merecida.

 

A barriga de Luís Fabiano passou a ser o grande trunfo do Flamengo. Com um a mais, o time decolou. Foi para cima, criou, teve um gol bem anulado e logo virou o placar. Tivemos o lado do campo forte como há tempos não tínhamos. Bom ver o Mengo sabendo aproveitar a vantagem numérica, ruim constatar que precisou dela pra começar a jogar bola.

Berrío marcou o segundo gol com o Manto Sagrado, no mesmo palco do primeiro. Segue uma incógnita. Faz bom uso da velocidade e da força física, abusa dela para cometer faltas infantis. Com a bola nos pés, lembra um tanto Obina. Alterna bons e péssimos momentos, como no gol de Trauco contra o San Lorenzo e nas tragicômicas pedaladas que resolveu dar no bico da área, no primeiro tempo daquele jogo. Tem o sangue quente que já prejudicou contra a Universidad Católica, mas que pode ajudar no futuro. É impressionante a quantidade de sul-americanos “pecho frios” que têm passado pela Gávea ultimamente.

 

Quem não é mais incógnita é Marcelo Cirino. Voltou a ter uma chance no time e, em poucos minutos, cometeu duas faltas inaceitáveis. Corretamente, professor Índio apitou ambas. Só que o jogo chegava perto do fim e ele não seria o destaque. No máximo, responsável pela cena de comédia, porém coadjuvante no filme da expulsão de Luís Fabiano. Acertou no cartão vermelho, igualmente na anulação do gol de Réver. Índio iria pra casa com a razão.

 

Não condiz com o que estamos acostumados, e isso vai além do compreensível. Índio precisava aparecer, restava recorrer a ela. A barriga, grande responsável pela reviravolta rubro-negra na partida, tornou a aparecer. Agora sim do jeito que a gente conhece: prejudicando o Flamengo. A bola de Nenê acertou estômago, pâncreas, duodeno, intestino e o escambau de Renê. Não para o cacique, nem para o curumim. Pênalti para o Vaso, já nos acréscimos, e com Alex Muralha no gol, só se a cobrança batesse na trave ou fosse pra fora. 2 a 2, placar final.

 

Era para termos vencido por causa da barriga de Luís Fabiano, não vencemos por causa da barriga de Renê. Um empate num clássico que serve para forrar o estômago. Não digerimos até agora a derrota na Libertadores e a única maneira de soltar o intestino vai ser vencendo o Atlético-PR no dia 12 de abril (não dá pra chamar de “próximo dia 12” uma data menos próxima que o Natal).

 

Não houve evolução do Flamengo no clássico desse domingo. No 11×11, continuávamos sendo o time do chutão e das poucas chances criadas. A estagnação preocupa para a Libertadores, mas é de se entender a falta de tesão dos jogadores. É a mesma que a gente sente. Campeonato fraco, times horrorosos, regulamento pior ainda. Uma alternativa seria testar algumas mudanças radicais, porém coerentes, nas partidas que nos restam: Donatti/Léo Duarte titular, Mancuello volante, Pará e Rodinei juntos pela direita… Ademais, é sobreviver às longas horas que nos separam do dia 12 e tratar o Campeonato Carioca como Luís Fabiano fez com o professor Índio: empurrando com a barriga.

 

 
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Categoria: Esporte
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