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UNICEF alerta que “LOCKDOWN” pode matar mais que o COVID19

Em uma entrevista concedida ao jornal britânico The Telegraph, o doutor Stefan Peterson, chefe de Saúde da Unicef, afirmou que os bloqueios generalizados, chamados de “lockdown”, aplicados em diversos países, são ineficazes para países em desenvolvimento e podem representar uma ameaça maior que a própria Covid-19 que tentam combater.

– Medidas indiscriminadas de bloqueio não têm um efeito ideal sobre o vírus. Se você está pedindo às famílias que fiquem em casa em um quarto da favela, sem comida ou água, isso não limitará a transmissão do vírus – afirmou.

Peterson ressaltou que algumas medidas de combate à pandemia feitas por países com renda mais baixa foram apenas “copiadas” de países desenvolvidos sem qualquer “contextualização para a situação local”. Ele ainda disse que o objetivo das medidas contra o vírus não é de prender a população.

– Uma mesma medida não serve para todos. O objetivo é retardar o vírus, não prender pessoas. Precisamos levantar os olhos e olhar para o quadro total da saúde pública – destacou.

O médico ainda usou como exemplo o surto de Ebola que aconteceu em 2014 na África, quando mais pessoas morreram por efeitos indiretos do que com a própria doença.

– Isso não é de Covid, Covid não é uma doença infantil. Sim, existem casos raros e os vemos divulgados na mídia. Mas pneumonia, diarréia, sarampo, morte no parto, essas são as razões pelas quais veremos o aumento das mortes – completou.

Fonte: UNICEF

Farmácias italianas distribuem gratuitamente a hidroxicloroquina para pacientes com covid-19 tratados em casa

As farmácias de duas cidades da Itália passaram a distribuir gratuitamente a hidroxicloroquina para todos os pacientes com covid-19 tratados em casa. O medicamento foi prescrito por médicos, em mais de 1.500 farmácias locais de Piemonte, no norte do país e de Ligúria, na região noroeste.

O anúncio feito pela Federfarma e pelo sindicato das farmácias diz que a entrega é sujeita a disponibilidade e realizada de acordo com os procedimentos do Dpc (Distribuição em nome), já aplicado em outras especialidades:

“A Federfarma Piemonte salienta que a distribuição é realizada pelas mesmas farmácias gratuitamente, sem, portanto, aplicar a taxa prevista para o Dpc dos outros medicamentos”.

A cientista italiana, Annalisa Chiusolo, aponta a hidroxicloroquina como eficaz em tornar as pessoas imunes ao coronavírus chinês. Sua teoria mostra que o vírus precisa de porfirinas para sobreviver e atacar as hemoglobinas – proteína que transporta oxigênio no sangue – e reduzir a quantidade de oxigênio no corpo.

Chiusolo afirma que o medicamento pode atuar como profilático, prevenindo ou limitando os sintomas da doença, enquanto aguarda a formulação da vacina que estimula especificamente a resposta de anticorpos do organismo. E que isso pode tornar o paciente imune ao covid-19 ou limitar seus efeitos colaterais.

A Agência Italiana de Medicamentos (AIFA), tem um estudo aprovado de hidroxicloroquina em 2.500 pacientes, que começará no início de julho e se concentrará no método preventivo, afirmou a cientista ao jornal Il Tempo.

VIVIANE OLIVEIRA

Uso preventivo da cloroquina pode tornar as pessoas imunes ao Covid-19, diz cientista italiana

A corrida para encontrar uma arma para lidar com o coronavírus continua de forma acelerada em várias partes do mundo. E uma das mais promissoras é, segundo a cientista italiana Annalisa Chiusoloa, o uso preventivo da hidroxicloroquina.

Ela diz ter descoberto o principal mecanismo por trás do SARS-CoV-2, e como a hidroxicloroquina pode tornar as pessoas imunes ao novo coronavírus.

Segundo publicação do jornal italiano Il Tempo, o vírus danifica a hemoglobina, prejudicando a capacidade dos glóbulos vermelhos de transportar oxigênio por todo o corpo, comprometendo os pulmões e resultando em Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA).

As células pulmonares se tornam o local da cascata de citocinas, uma enorme resposta imune, responsável pela inflamação pulmonar aguda que caracteriza a pneumonia por COVID-19”, disse Chiusolo.

“O valor da hemoglobina no sangue pode ser um parâmetro importante para avaliar a infecção por SARS-CoV-2: nos homens, o valor normal da hemoglobina (Hb) é maior que nas mulheres”, disse Chiusolo.

Segundo ela, isso explicaria a maior incidência de pneumonia por COVID-19 em homens em comparação com as mulheres, e a menor incidência e melhor prognóstico em crianças e mulheres grávidas, onde os valores de Hb são mais baixos devido à maior necessidade de ferro, o que torna menos disponível essa nutrição para o vírus.

A pneumonia causada pelo coronavírus também é mais proeminente em pacientes idosos ou pacientes de meia-idade com diabetes. Chiusolo disse que isto está ligado ao aumento da hemoglobina glicada.

Annalisa Chiusoloa, cientista italiana. Foto: Divulgação

Ao diário Jerusalem Post, a acadêmica – graduada pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Perugia – explicou que “as células pulmonares se tornam o local da tempestade de citocinas, a forte resposta imunológica responsável pela inflamação pulmonar aguda que caracteriza a pneumonia da COVID-19”.

O portal Science Daily define a tempestade de citocinas como uma “superprodução de células do sistema imunológico e seus compostos ativadores”.

Para Andrea Savarino, pesquisadora do Instituto Superior de Saúde da Itália, e uma das principais especialistas em hidroxicloroquina, internacionalmente conhecida por suas publicações sobre o assunto, “a interpretação de Annalisa Chiusoloa é bastante interessante”.

Uso profilático da hidroxicloroquina

Chiusolo disse que a hidroxicloroquina (HCQ) pode atuar como profilática, prevenindo ou limitando os sintomas da doença, enquanto aguarda a formulação da vacina que estimula especificamente a resposta de anticorpos do organismo.

Ela disse que isso pode tornar o paciente imune ao covid-19 e, quem sabe, limitar seus efeitos colaterais.

Segundo o jornal italiano Il Fatto Quotidiano, a Agência Italiana de Medicamentos (AIFA), a autoridade nacional responsável pela regulamentação de medicamentos na Itália, começa nesta sexta-feira (08) um  estudo com hidroxicloroquina em 2.500 pacientes, e se concentrará no uso do medicamento na profilaxia.

O estudo, para o qual os dados preliminares estariam prontos dentro de 12 a 16 semanas, analisará se a ingestão preventiva do medicamento diminui a probabilidade de contrair covid-19, quando alguém entra em contato direto com um paciente positivo.

A intenção é ter uma estratégia de profilaxia realmente capaz de reduzir a disseminação de infecções e introduzir uma possibilidade terapêutica eficaz.

Estudo semelhante

Atualmente, algumas publicações confirmam o efeito “profilaxia”, como o estudo francês publicado no International Journal of Antimicrobial Agents, órgão oficial da Sociedade Internacional de Quimioterapia Antimicrobiana. Nele, o resultado do medicamento é relatado no uso preventivo em 211 profissionais de saúde e pacientes que tiveram contato com pessoas positivas.

Após 10 dias, ninguém apresentou resultado positivo para o coronavírus.

Além disso, Chiusolo disse que a Sociedade Italiana de Reumatologia entrevistou cerca de 1200 reumatologistas em toda a Itália para coletar estatísticas sobre contágios. Na base de 65 mil pacientes com lúpus crônico e artrite reumatoide que tomam sistematicamente hidroxicloroquina, apenas 20 pacientes tiveram resultado positivo para o coronavírus.

Um dos jornais de maior circulação da Itália, o La Repubblica, também repercutiu o uso preventivo da cloroquina.

“O debate entre os especialistas ainda está aberto, e uma importante contribuição para a discussão vem da Itália: uma carta publicada no Anais das Doenças Reumáticas por uma equipe de reumatologistas de Sapienza, que analisa os prós e contras do uso profilático da cloroquina contra o vírus Sars-Cov-2 à luz do conhecimento acumulado na reumatologia, disciplina na qual o medicamento é usado rotineiramente para o tratamento de várias patologias. Com uma ressalva: a prioridade deve ser garantir o suprimento para os pacientes atualmente em terapia”, publicou.

O mundo já possui quase 1,5 milhão de recuperados da covid-19. Entenda como é a luta para vencer a doença

Desde que surgiu, no fim de dezembro de 2019 em Wuhan, na China, a covid-19 fez muitas vítimas (aproximadamente 290 mil no mundo todo). Mas um número muito maior de pessoas se recuperou do quadro. Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, que desde o começo contabiliza os casos, dos 4,2 milhões de contaminados pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), quase 1,5 milhão de pessoas já se “curaram”.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), mais de 80% dos casos da doença são leves e, entre os 20% graves, nota-se um acometimento de vários órgãos do corpo com sequelas que devem durar por meses após a alta hospitalar.

Na verdade, ainda não sabemos tanto sobre a vida pós-covid-19, pois, como muitos especialistas têm dito: “estamos construindo e pilotando um avião ao mesmo tempo”. A reportagem de VivaBem foi entender o que já se sabe sobre a recuperação pós-covid-19 e mostra para você o número de curados em alguns países, os principais tratamentos usados e como são os cuidados com os órgãos mais afetados pelo vírus.

Curados x recuperados

O que se sabe sobre o Sars-CoV-2 ainda é pouco, principalmente para falar em cura. O potencial de transmissão após o desaparecimento dos sintomas, assim como a imunidade ao vírus são incógnitas para a ciência. É por isso a própria OMS prefere usar outro termo para se referir aos que já não apresentam os sinais da covid-19: os recuperados.

Como não há testes suficientes para mostrar se os pacientes estão mesmo livres da doença, não apresentar mais os sintomas tem sido o critério para definir a recuperação. “É claro que a gente olha os exames de sangue, os marcadores de inflamação, se estão melhores, mas o que importa mesmo é a melhora clínica”, diz João Prats, infectologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Segundo o médico, conta-se 14 dias após o início dos sintomas.

Depois desse tempo, para dizer que a pessoa está recuperada, basta os sintomas terem melhorado.

As estimativas atuais do período de incubação do vírus (tempo entre a infecção do ser humano pelo vírus e o início dos sintomas da doença) variam de 1 a 14 dias, mais frequentemente ao redor de cinco dias.

A falta de certezas quanto a uma cura também impacta nos dados. A Universidade Johns Hopkins, por exemplo, que rastreia a contagem de casos e o número de mortos relatados por regiões de todo o mundo, diz que os dados sobre recuperações são menos precisos.

Douglas Donovan, porta-voz da universidade, disse à CNN que muitos municípios, estados, territórios e regiões não informam quantos de seus residentes se recuperaram. Muitas vezes até pela falta de testes moleculares —como é o caso do Brasil. “Os casos recuperados são estimativas em nível nacional com base em reportagens da mídia local e podem ser substancialmente inferiores ao número real”.

Quanto tempo leva para a cura?

A recuperação do coronavírus depende de diversas variáveis: idade, sexo e outras comorbidades que podem agravar o quadro (asma, diabetes, obesidade, hipertensão, por exemplo). Quanto mais grave a doença, mais demorada é a recuperação.

“Geralmente são necessárias seis semanas para se recuperar, mas quem sofre de quadros muito graves pode levar meses”, disse Mike Ryan, diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, em entrevista em março.

De acordo com André Ribas, médico epidemiologista da Faculdade São Leopoldo Mandic e do Departamento de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde de Campinas (SP), são notadas melhoras em pessoas de todas as idades, mas a taxa de mortalidade depende muito da faixa etária.

Em pacientes mais jovens, a proporção dos que melhoram fica entre 93% e 95%. Em adultos é de 98%; em idosos, chega a 80%.

A maioria das pessoas com Sars-CoV-2 desenvolve quadros leves da doença. Uma análise da OMS diz que casos leves demoram, em média, duas semanas para passar. “Nesses casos, as pessoas se recuperam muito rapidamente, em dois, três dias. A maioria nem vai procurar um hospital”. Já em quadros mais moderados, em que há falta de ar, o médico afirma que a internação pode durar de quatro a oito dias.

A OMS estima que uma pessoa em cada 20 necessitará de tratamento intensivo, o que pode incluir sedação e oxigenação. E recuperar-se do tempo em uma UTI (unidade de terapia intensiva), demora. “Esse tempo varia, dependendo da resposta inflamatória. Muitas vezes as complicações podem ser tanto pulmonares quanto cardiovasculares, então depende de quais complicações o paciente teve”, diz Ribas.

Prats conta que o paciente fica um tempo na UTI, se recupera do coronavírus, mas continua hospitalizado por mais um tempo para se recuperar das potenciais sequelas. “Quem teve uma doença muito grave pelo coronavírus e fica na UTI, precisa ser intubado, necessita de ventilação mecânica por bastante tempo, de diálise, de vários medicamentos sedativos e até de drogas para manter a pressão. Isso traz consequências para o corpo”, diz. Um sintoma que é específico do coronavírus e que pode durar por um mês após a saída do hospital é a falta de ar ao fazer esforço.

Os tratamentos mais usados até aqui

  • Hidroxicloroquina

    O principal papel da droga no organismo é controlar a infecção impedindo que o vírus se reproduza. Além disso, o remédio modifica o pH de vesículas que estão no interior das células. Isso prejudica a produção de partículas que um vírus precisa para se multiplicar. Assim, ele acaba não se reproduzindo e a infecção é controlada.

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  • Anticoagulantes

    Especialistas já identificaram que o coronavírus provoca um aumento da coagulação em pacientes com quadros mais graves. Um estudo preliminar do Hospital Sírio-Libanês (SP) apontou que o medicamento heparina ajuda a desfazer os coágulos que são formados na microcirculação do pulmão e em outros locais do corpo.

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  • Plasma

    Pesquisadores apontam que o plasma –parte líquida do sangue– de quem se recuperou tem anticorpos chamados de “neutralizantes”, que podem ser úteis para compensar a incapacidade do sistema imunológico do indivíduo doente e antecipar sua melhora. A técnica existe há mais de 100 anos e foi usada durante as epidemias de Sars e Mars, doenças respiratórias causadas por outros coronavírus.

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  • Corticoides

    Seu uso ainda é controverso e não há estudos específicos com pacientes com covid-19. Análises sugerem que o tratamento com corticosteroides alivia a fibrose pulmonar e impede a deterioração patológica progressiva em casos de síndrome respiratória aguda grave. No entanto, estudos apontam que essas drogas aumentam a carga viral, o tempo de internação e o risco de infecção secundária.

Os órgãos mais afetados pelo coronavírus

Confusas com a infecção, células de defesa do nosso organismo podem entrar em atividade exaltada, combatendo tanto o inimigo quanto outras células saudáveis. Assim, o sistema imunológico prejudica órgãos do corpo todo com reações inflamatórias:

Fonte: UOL

Pesquisadores chineses identificam novo coronavírus em sêmen

Como em todos os casos de doenças novas e pouco conhecidas, cada estudo realizado acaba por descobrir uma característica diferente do vírus.

Nesta semana, pesquisadores chineses detectaram a presença do novo coronavírus no sêmen de pacientes, incluindo aqueles que se recuperavam da covid-19.

Foi utilizado uma amostra pequena de doentes durante os testes, mas de 38 participantes da pesquisa, o novo coronavírus foi encontrado no sêmen de seis deles, o que representa 15,8% da amostragem.

Quatro desses homens estavam no grupo de formado por aqueles que a doença estava em seu nível mais agudo, o que demonstra um nível de contaminação de 26,7%. Já os outros dois faziam parte do grupo de pacientes que estavam recuperados da doença, representando 8,7% nesse cenário.

Os resultados, positivos ou negativos, não tiveram distinção perceptível causada por idade, histórico de doenças urológicas ou dias desde a infecção, internação ou recuperação clínica.

A descoberta liga um alerta para a possibilidade de transmissão sexual da covid-19, já que, apesar de não demonstrar a capacidade do vírus de se replicar no sistema reprodutivos, apresenta a real probabilidade de ele persistir neste ambiente, especialmente no caso de uma inflamação local sistêmica.

Segundo a equipe, se for provado que há a possibilidade de transmissão sexual da covid-19, a abstinência sexual ou uso de camisinha podem ser parte crítica na prevenção da doença.

Fonte:R7

Coronavírus tem mutação e se torna mais contagioso, diz estudo

Cientistas do Laboratório Nacional de Los Alamos na Califórnia, nos Estados Unidos, identificaram uma nova mutação do coronavírus. De acordo com o estudo preliminar veiculado recentemente na plataforma bioRxiv, que reúne estudos científicos antes da revisão por especialistas e da publicação formal em revistas científicas, essa versão é mais contagiosa que o vírus original, responsável pelo início da pandemia em Wuhan, na China. Em pouco tempo, tornou-se a versão dominante em diversos países, como Itália e Estados Unidos.

De acordo com a equipe, a mutação afeta as proteínas exteriores do vírus. Chamadas “spikes”, elas são responsáveis pela entrada do vírus nas células. “A história é preocupante, pois vemos uma forma mutada do vírus emergindo muito rapidamente e, durante o mês de março, se tornando a forma pandêmica dominante”, escreveu a bióloga computacional de Los Alamos Bette Korber, líder do estudo, em sua página no Facebook.

A nova cepa, que recebeu o nome de D614G, apareceu na Europa em fevereiro, migrou para a costa leste dos EUA e desde meados de março é a forma dominante do vírus nos Estados Unidos e na Europa. Entretanto, os pesquisadores ainda não sabem o que isso significa. Por exemplo, dados do Reino Unido mostraram que pessoas com essa mutação específica pareciam ter uma quantidade maior do vírus em suas amostras. Por outro lado, não há evidências de que essas pessoas apresentaram quadros mais graves ou um tempo de internação maior.

No momento, a maior preocupação, segundo a equipe, é o possível impacto dessa – e de outras mutações – no desenvolvimento de vacinas e tratamentos contra o novo coronavírus. Atualmente, mais de 100 vacinas em desenvolvimento e, na maioria das vezes, os cientistas partem do pressuposto que o coronavírus não sofreu nem sofrerá grandes mutações, a ponto de impactar a eficácia do imunizante.

Entretanto, é justamente isso que os pesquisadores do Laboratório Nacional de Los Alamos temem. Embora o estudo ainda precise ser revisado por especialistas que não estão envolvidos no estudo, os autores afirmam que a descoberta representa uma “necessidade urgente de um alerta precoce”. Segundo eles, se o coronavírus não desaparecer no verão no hemisfério norte – como a gripe sazonal -, ele poderá sofrer mutações ainda maiores, o que poderia limitar a eficácia das vacinas e tratamentos desenvolvidos atualmente.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores de Los Alamos trabalharam em conjunto com cientistas das Universidades Duke, nos Estados Unidos, e Sheffield, na Inglaterra. Ao analisarem a sequências de coronavírus incluídas na Global Initiative for Sharing All Influenza, uma organização que promove o rápido compartilhamento de dados de todos os vírus influenza e coronavírus, eles identificaram 14 mutações do novo coronavírus.

Dessas, apenas a D614G foi considerada uma “preocupação urgente” no momento. Segundo eles, além de se espalhar rapidamente, ela pode deixar os “indivíduos suscetíveis a uma segunda infecção”. em referência às mais de 100 vacinas em desenvolvimento.

Mutações anteriores

Essa não é a primeira vez que pesquisadores identificam mutações no novo coronavírus. No início de março, pesquisadores da China descobriram que um tipo mais agressivo do novo coronavírus representava cerca de 70% das infecções, enquanto as outras 30% estavam ligadas a um tipo menos agressivo.

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Outro estudo da Universidade College London, no Reino Unido, identificou 198 mutações recorrentes no vírus. “Mutações em si não são uma coisa ruim e não há nada que sugira que o Sars-CoV-2 esteja sofrendo mutações mais rápidas ou mais lentas do que o esperado. Até agora, não podemos dizer se o SARS-CoV-2 está se tornando mais ou menos letal e contagioso.”, disse François Balloux, um dos autores.

Um terceiro estudo, feito pela Universidade Estadual do Arizona, nos EUA, descobriu uma grande exclusão de DNA em um gene chamado ORF7a, na amostra de um paciente. Esse gene é responsável por criar uma proteína que ajuda o vírus a infectar, replicar e se espalhar pelo corpo humano.

Alegações “infundadas”

Por outro lado, nesta quarta-feira, pesquisadores da Universidade de Glasgow, na Escócia, consideram essas alegações “infundadas” e afirmam que nenhuma versão do vírus atualmente em circulação é mais ou menos potente que outra. A equipe do Centro de Pesquisa de Vírus analisou um catálogo de 7.237 mutações registradas no coronavírus durante a pandemia.

Segundo eles, embora isso possa parecer uma grande mudança, é uma taxa de evolução relativamente baixa para um vírus infeccioso como o Sars-CoV-2, nome oficial do novo coronavírus. Após analisarem as mutações, eles afirmaram que é improvável que alguma tenha significado funcional e não representam tipos diferentes de vírus.

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Entretanto, eles acreditam que essas mutações podem ser úteis para rastrear o histórico de transmissão e entender o padrão histórico da disseminação global. Os pesquisadores escoceses também esperam que mais mutações entre o vírus continuem se acumulando à medida que a pandemia continua. Mas espera-se que a maioria delas não altere de forma significativa a biologia do vírus.

Mutações são comuns em vírus

Mutações já são esperadas em vírus. Elas acontecem à medida que esse micro-organismos se replicam. Alguns vírus, como o influenza, sofrem muitas mutações rapidamente. É por isso que a vacina de gripe precisa ser atualizada anualmente. Mas o novo coronavírus parece ter um processo de mutação mais lento que o vírus da gripe.

Até o momento, estima-se que a Sars-CoV-2 tenha uma taxa inferior a 25 mutações por ano. O influenza tem 50. A maioria dessas mutações é neutra, ou seja não causam nenhuma alteração na forma como o vírus se comporta. Algumas são prejudiciais ao próprio vírus, o que impacta sua capacidade de sobrevivência, e outras são benéficas para o próprio vírus.

No momento, não se sabe em qual dessas categorias está a mutação D614G. Com todo o empenho da ciência em desvendar os mistérios do novo coronavírus, provavelmente informações mais precisas sobre essa questão estarão disponíveis em breve. Por ora, isso não motivo para preocupação, dizem especialistas.

Fonte:Veja

Autoridades americanas comemoram ‘efeito certeiro’ de remédio contra coronavírus

Representando o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid, na sigla em inglês), o médico Anthony Fauci, um dos nomes mais importantes da resposta americana ao novo coronavírus, anunciou nesta quarta-feira (29) que testes com o antiviral remdesivir mostraram que o medicamento tem um potencial “certeiro” para tratar a covid-19.

Em um estudo conduzido pelo Niaid com a participação de 1.063 pessoas ao redor do mundo, foi constatado que o remdesivir diminuiu a duração dos sintomas da covid-19 de 15 para 11 dias. Os resultados completos do estudo americano não foram publicados ainda.

O remdesivir foi originalmente desenvolvido para tratar o vírus ebola. É um antiviral que funciona atacando uma enzima de que o vírus precisa para se replicar dentro das células.

“Os dados mostram que o remdesivir tem um efeito certeiro, significativo e positivo na diminuição do tempo de recuperação”, anunciou Fauci e assessora a Casa Branca em assuntos de saúde desde a gestão Ronald Reagan.

O médico comemorou afirmando que os resultados “abrem as portas para o fato de que agora existe a capacidade de tratar” pacientes.

Dúvidas persistem

Mas o impacto do medicamento na mortalidade, especificamente, não é tão evidente. No estudo, a taxa de mortalidade foi de 8% nas pessoas que receberam remdesivir e 11,6% nas que receberam um placebo. Essa diferença não é estatisticamente significativa, portanto cientistas não podem definir sua importância.

Também não ficou claro, do anúncio de Fauci, quem exatamente estaria se beneficiando do tratamento. Ele permitiu ou acelerou a recuperação de pessoas que já se recuperariam de qualquer maneira? Ou evitou que pessoas precisem de internação? O medicamento funcionou melhor em pessoas mais jovens ou mais velhas? Ou aqueles com ou sem outras comorbidades?

Outro sinal de que é preciso cautela para avaliar os resultados deste estudo comandado pelo Niaid é a publicação de um outro, conduzido por pesquisadores chineses e reproduzido na revista médica Lancet também nesta quarta-feira (29).

Nele, a primeira publicação de um estudo clínico randomizado sobre o medicamento, pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre o remdesivir e um placebo no tempo de recuperação ou mortalidade.

O estudo publicado no Lancet envolveu 237 adultos internados em estado grave por covid-19 em dez hospitais em Wuhan, na China. Mas os testes acabaram sendo insuficientes pois, com as medidas de isolamento, ficou mais difícil recrutar pacientes para o estudo. Assim, os próprios autores reconhecem que esta dificuldade pode ter influenciado nos resultados com o remdesivir.

De todo modo, Mahesh Parmar, que supervisionou na Europa a pesquisa do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, afirma que não só este mas outros estudos com o remdesivir precisam ser aprofundados para garantir sua eficácia.

“Antes que este medicamento seja disponibilizado mais amplamente (para tratamento da covid-19), algumas coisas precisam acontecer. Primeiro, dados e resultados (de pesquisas) precisam passar por revisões para avaliar se o tratamento pode ser licenciado. Depois, vários países terão que avaliar sua eficácia através de suas próprias autoridades de saúde“, explicou Parmar, diretor da Unidade de Ensaios Clínicos MRC da Universidade College London.

“Enquanto isso, vamos obtendo mais e mais dados a longo prazo deste estudo, e de outros, buscando saber se a droga também evita mortes por covid-19”.

O professor Peter Horby, da Universidade Oxford, está conduzindo o maior teste do mundo sobre medicamentos para covid-19.

Sobre a descoberta anunciada por Fauci, ele comentou: “Precisamos ver os resultados completos, mas se confirmado, seria algo fantástico, uma ótima notícia na luta contra o novo coronavírus.”

“Os próximos passos são obter os dados completos e, conforme for, trabalhar no acesso universal ao remdesivir.”

Aprovação rápida?

Babak Javid, consultor em doenças infecciosas dos hospitais da Universidade Cambridge, afirmou que o contexto atual pode acelerar este processo.

“Os dados são promissores e, como ainda não temos tratamentos comprovados para a covid-19, eles podem levar à aprovação rápida do remdesivir para o tratamento da doença”, disse Javid.

“No entanto, (os resultados) também mostram que o remdesivir não é uma ‘varinha mágica’ nesse contexto: o benefício geral na sobrevivência foi de 30%.”

Outros tratamentos estão sendo pesquisados para a covid-19, incluindo alguns tipicamente usados contra a malária e o HIV, que miram o vírus. Em outra frente, estão em estudo outros tratamentos que agem no sistema imunológico do corpo humano.

Acredita-se que os antivirais sejam mais úteis nos estágios iniciais da doença, e os medicamentos imunológicos, na fase mais tardia.

BBC Brasil

Estudo italiano identifica coronavírus em partículas de poluição no ar

Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Bolonha, na Itália, detectou o novo coronavírus em partículas de poluição do ar. Agora, eles investigam se isso pode permitir que ele seja transportado por longas distâncias e aumentar o número de pessoas infectadas.

A pesquisa, divulgada com exclusividade para o jornal The Guardian, ainda não identificou se o vírus permanece funcional em partículas poluentes nem se tem quantidade suficiente para contaminar as pessoas.

Os italianos coletaram amostras do ar em locais públicos da cidade de Bergamo. A coleta foi dividida entre zonas urbanas e industriais. Eles identificaram um gene altamente específico da covid-19 em várias amostras diferentes.

O resultado foi confirmado em testes cegos feitos por um laboratório independente.

Leonardo Setti, que liderou a pesquisa em Bolonha, disse que era importante investigar se o vírus poderia ser transmitido em longa escala através do ar.

“Se soubermos, podemos encontrar uma solução. Mas se não soubermos, só podemos sofrer as consequências”, disse Setti.

Uma análise estatística feita pela equipe sugere que níveis mais altos de poluição poderiam explicar taxas mais altas de infecção ao norte da Itália antes da quarentena.

O país sofre com quase 190 mil infectados e lidera o ranking de morte, com cerca de 25.500 óbitos.

UOL

Coronavírus: 3 respiradores para 5 milhões de pessoas: o drama da pandemia na África

Três respiradores para 5 milhões de pessoas esse é o número de máquinas de ventilação mecânica, essenciais para pacientes com covid-19 em estado grave, que a República Centro-Africana tem para toda a sua população.

Em Burkina Faso, a proporção é de 11 respiradores para 19 milhões de cidadãos. Já em Serra Leoa, são 18 para 7,5 milhões.

A pandemia do coronavírus que começou na China e se espalhou pelo mundo chegou ao continente africano, onde especialistas preveem que vai provocar uma tragédia de “imensas proporções”.

Na semana passada, o etíope Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que a África deve se preparar para “o pior”.

“A África deve acordar”, afirmou.

Alertas semelhantes foram emitidos por autoridades de outras instituições internacionais, que assinalaram que o “desastre é iminente” no continente e que pode se transformar em uma “tempestade brutal” se medidas urgentes não forem tomadas.

Já são ao todo 12 mil casos confirmados do novo coronavírus e quase 600 mortes na região até esta quinta-feira (09/04).

O país mais afetado é a África do Sul, com cerca de 2 mil casos, seguida por Argélia, Egito, Marrocos e Camarões.

À primeira vista, o número é bastante inferior ao de outros continentes e até mesmo países.

Para se ter uma ideia, o Brasil já tem cerca de 16 mil casos confirmados do vírus.

Mas o que causa tanto temor pela pandemia no continente?

Sistema de saúde precário

Segundo projeções, o contágio na África do Sul está com um atraso de duas a três semanas em relação à Ásia e à Europa.

Consequentemente, diferentes ONGs e instituições internacionais aconselharam os governos africanos a aplicarem medidas como o confinamento e o fechamento de suas fronteiras.

Alguns deles seguiram a recomendação. A África do Sul, por exemplo, implementou a quarentena obrigatória e anunciou que começará a fazer milhares de testes de casa em casa.

A Nigéria confinou os moradores de suas duas cidades mais populosas, enquanto a Gâmbia fechou suas fronteiras. E no Quênia há um toque de recolher.

No entanto, nada disso parece ser suficiente.

“Os casos estão aumentando muito, muito rapidamente”, diz a nigeriana Mary Stephen, representante da OMS na África.

“Temos de quebrar a cadeia de transmissão e, quanto mais casos tivermos, mais difícil será”, diz ele à BBC Mundo.

“Devemos impedir que as mortes aumentem e, para isso, precisamos ser mais proativos e implementar medidas preventivas e de controle com urgência”, acrescenta.

A médica explica que um dos grandes problemas que a África tem para enfrentar a pandemia é o seu precário sistema de saúde, com falta de leitos, unidades de terapia intensiva (UTI), médicos especialistas e o restante de equipamento essencial para enfrentar o vírus, como respiradores.

É por isso que, diz Stephen, é tão importante quebrar a cadeia de transmissão “antes que seja tarde demais”.

Opinião semelhante é defendida pela epidemiologista Anna Roca, que vive na África há dez anos trabalhando para a Unidade de Gâmbia da Escola de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Londres (LSHTM).

“Estratégias para lidar com a pandemia, como achatar a curva de contágio, foram projetadas na Europa ou em países de alta renda e é muito difícil pensar que possam ser implementadas nesses países” , disse ela à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

“Aqui o sistema ficará saturado muito mais cedo do que nesses países; entrará em colapso muito rapidamente”, acrescenta.

‘Dano colateral’

Como exemplo, a pesquisadora afirma que na Gâmbia não existem unidades de terapia intensiva.

Atualmente, cerca de 100 leitos estão sendo criados em todo o país para combater a pandemia, mas estima-se que serão necessários mais de 1 mil.

“Ou seja, estamos atrasados em tudo”, diz ela.

Segundo a ONG Comitê de Resgate Internacional (IRC, na sigla em inglês), a Somália só tem 15 leitos UTI para quase 15 milhões de pessoas, o Malauí, 25 para 17 milhões e a Uganda, 55 para 43 milhões.

Assim, teme-se que a disseminação da pandemia possa ter efeitos devastadores em um dos sistemas de saúde mais fracos do mundo, colocando em risco também milhões de pacientes que sofrem de outras doenças como tuberculose, aids, malária ou desnutrição.

“O dano colateral esperado na África é muito maior do que na Europa”, diz Roca.

“Aqui está claro que as mulheres não levarão seus filhos a programas de vacinação, portanto, pode haver surtos de outras doenças”.

E “também é esperado que os hospitais não sejam capazes de cuidar de outros pacientes; existe até o medo de que as mulheres tenham seus filhos em casa, o que pode levar ao aumento da mortalidade em recém-nascidos”, acrescenta.

Más condições de higiene e falta d’água

Outro fator a ser levado em conta é que, na África, existem muitas áreas em que falta o básico, como água e sabão, o que impossibilita lavar as mãos, a melhor prevenção contra o novo coronavírus.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), na região subsaariana, 63% das pessoas que vivem em áreas urbanas (ou 258 milhões de pessoas) não têm acesso à possibilidade de lavar as mãos.

Enquanto isso, na África Ocidental e Central, mais de um terço de todas as pessoas ainda não têm acesso a água potável.

Isso faz com que as condições de higiene sejam extremamente frágeis.

“Para obter água na Gâmbia, é preciso sair de casa e coletá-la nas torneiras públicas. Portanto, a higiene não é uma prioridade, porque não há água para lavar as mãos continuamente”, explica Roca.

Além disso, a alta densidade populacional de algumas áreas deste continente torna ainda mais difícil conter a pandemia.

Por exemplo, em Nairóbi, capital do Quênia, existem favelas – como a chamada Mukuru – onde mais de meio milhão de pessoas vivem superlotadas.

Lá, as casas são feitas de papelão ou plástico, não têm ventilação ou drenagem, nem coletam resíduos: a fórmula perfeita para a propagação de doenças.

“Não podemos separar uma criança da outra em caso de infecção. Não temos espaço. Não há quartos aqui”, disse à BBC uma das moradoras deste local, Celestine Adhiambo.

Da mesma forma, existem tradições culturais profundamente enraizadas em algumas sociedades africanas que também não ajudam a impedir o contágio.

“Aqui os programas da Europa para isolar pessoas vulneráveis são muito difíceis de implementar, pois muitas famílias vivem juntas, na mesma casa e todas comem do mesmo prato”, explica Roca.

Além disso, em muitos casos, os governos não estão transmitindo as informações corretas para impedir a transmissão da doença.

“Precisamos garantir que as pessoas estejam sendo adequadamente informadas sobre o que está acontecendo em seus países e como elas podem cuidar de si mesmas, por exemplo, por distanciamento social ou como tossir e espirrar, lavar as mãos etc.”, explica Stephen, da OMS.

“Há muito pânico e, porque as pessoas estão em pânico, há países que estão agindo sem evidências científicas”, acrescenta.

Impacto dramático na economia

A crise do coronavírus expõe outros problemas que assolam muitos países africanos: uma enorme desigualdade social.

“Vamos ver a diferença, a divisão entre ricos e pobres”, diz Andrew Harding, correspondente da BBC na África.

“Já o vemos na África do Sul, com as diferenças nos sistemas de saúde público e privado. E, como sempre, os pobres serão os que mais sofrerão” , acrescenta ele à BBC News Mundo.

E, em economias instáveis como a de muitos países africanos, a possibilidade de criar pacotes econômicos que ajudem as pessoas a lidar com a crise é vista como uma possibilidade muito remota.

Consequentemente, muitas pessoas não serão capazes de parar de trabalhar porque não terão nada para comer.

“Em países onde as pessoas ganham o dinheiro do dia, onde não existe possibilidade de poupar, onde a maioria das trocas comerciais é informal, o impacto pode ser muito grande e rápido”, explica Roca.

Neste sentido, algumas dessas medidas já estão afetando países da região.

A Gâmbia fechou suas fronteiras com o Senegal, do qual depende fortemente, um duro golpe à sua economia.

Para o correspondente da BBC Africa Andrew Hardwing, “não há dúvida de que isso pode se transformar em um desastre”.

“O impacto econômico na África será enorme, porque temos economias muito vulneráveis e , mesmo nas mais sofisticadas, como a África do Sul, o golpe será muito forte”, explica ele.

Além disso, é muito difícil pensar que países com situações econômicas estáveis serão capazes de ajudá-las porque, desta vez, a crise está atingindo todos.

Especialistas acreditam que será difícil obter ajuda de outros países, porque todos estão sendo afetados pela pandemia.

Outra preocupação é sobre o fim da ajuda humanitária, essencial para muitos países africanos.

“Aqui estamos acostumados ao fato de que, quando as catástrofes acontecem, os países de alta renda nos enviam recursos. Mas, no momento, é muito difícil pensar que essa ajuda chegará até nós”, diz Roca.

Por enquanto, a única esperança que resta é que a pandemia leve tempo para se agravar na África, para que, quando isso acontecer, outros países do mundo, mais desenvolvidos, já tenham superado suas crises e possam enviar os reforços necessários.

“Os dados indicam que o surto aqui será tão forte quanto na Europa e não estamos preparados. Espero que, quando emergirem da pandemia, eles reajam rapidamente para ajudar a África”, conclui Roca.

‘Tsunami de miséria’

Segundo um estudo da ONU divulgado nesta quinta-feira, até 500 milhões de pessoas poderiam ser empurradas para a pobreza por causa da pandemia do coronavírus.

Os pesquisadores usaram dados do Banco Mundial para medir os efeitos da redução dos gastos nas economias do mundo em três níveis de pobreza – U$ 1,90 (R$ 9,75), U$ 3,20 (R$ 16,40) e U$ 5,50 (R$ 28,18) por dia.

De acordo com o estudo, devido à crise, o nível de pobreza em países em desenvolvimento poderia voltar a um patamar de 30 anos atrás.

Considerando o patamar de pobreza de U$ 5,50 (R$ 28,18) por dia, cerca de 40% dos novos pobres estariam concentrados no leste da Ásia e no Pacífico, com cerca de um terço na África Subsaariana e no sul da Ásia. A América Latina responderia por 10% desse aumento global.

O impacto do novo coronavírus poderia representar, assim, um grande desafio para se atingir o fim da pobreza em 2030, um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Por UOL

Número de pessoas curadas do coronavírus passa de 200 mil

202.935: este é o número de pessoas que já se curaram no mundo em meio à pandemia do coronavírus até o fim da manhã desta quinta-feira (2), segundo dados da universidade americana Johns Hopkins. A China, país onde o vírus surgiu no fim de dezembro, é a líder em números de cura, com mais de 76 mil pessoas recuperadas. Em seguida, aparece a Espanha, com 26.743 curados.  Alemanha, com 19.175 e a Itália, com 16.847, vêm logo depois.

Esses também são alguns dos países mais afetados pela doença.

No Brasil, até o momento, 127 pessoas foram curadas, segundo o monitoramento em tempo real feito pela Johns Hopkins.

Apesar de ser o quarto país com o maior número de curados, a Itália é a líder em número de mortes, com mais de 13 mil óbitos e cerca de 110 mil casos confirmados. Os Estados Unidos é, agora, o epicentro do vírus no mundo, com 216.768 casos.

No Brasil, quase 7 mil casos foram confirmados e 241 pessoas morreram, a maioria no estado de São Paulo, segundo dados do Ministério da Saúde.

Não há um prazo estabelecido sobre quanto tempo leva para uma pessoa se recuperar da covid-19. Nos casos mais leves, autoridades têm pedido ao menos 14 dias de quarentena. A China estabeleceu outros 14 – totalizando 28 – antes de definir que um paciente estava totalmente curado.

Fonte:Exame