Integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) já admitem nos bastidores que são frágeis as provas obtidas até o momento contra o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), acusado de ter recebido dinheiro do esquema de corrupção da Petrobras.
As investigações, entretanto, não foram interrompidas. A esperança de integrantes da PGR está em novas revelações do ex-presidente do partido, Pedro Corrêa, que firmou acordo de delação premiada.
Waldir Maranhão entrou entrou na mira da Operação Lava Jato a partir dos depoimentos do doleiro Alberto Youssef, operador financeiro do esquema de desvios de recursos da Petrobras, segundo os quais o vice-presidente da Câmara fazia parte da ala de “menor expressão” do PP em 2010 e recebia repasses mensais por meio da empresa GFD, usada pelo doleiro para distribuir propina a políticos, que variavam de R$ 30 mil a R$ 50 mil.
Os investigadores, contudo, até o momento, não conseguiram encontrar o nexo causal entre o suposto pagamento de propina a Waldir e algum ato de ofício que tenha favorecido Youssef. A PGR também tem encontrado dificuldades para obter informações sobre os indícios do rastro de pagamento da suposta propina ao vice-presidente da Câmara.
O parlamentar maranhense sempre negou qualquer envolvimento com o doleiro.
Transferências bancárias
A suspeita contra Waldir Maranhão aumentou pelo fato de que, no ano citado por Alberto Youssef, foram registradas incongruências na prestação de contas eleitorais do parlamentar. As prestações de Waldir referentes às eleições de 2010 mostram que ele efetuou transferências bancárias para sua própria campanha que totalizaram R$ 557 mil, sendo que, para a Justiça Eleitoral, ele alegou que mantinha uma reserva financeira de R$ 16 mil na época.
Pelas informações do TSE, o deputado federal maranhense fez dez depósitos em suas contas: quatro em setembro e seis em outubro. As transferências realizadas em setembro ocorreram no mesmo dia. Houve, no dia 20 de setembro, um repasse de R$ 10,3 mil, outro de R$ 60 mil e mais dois de R$ 86 mil cada. Em outubro, as seis transferências ocorreram no dia 15 (dois repasses no valor de R$ 86 mil cada), dia 21 (R$ 33,2 mil) e no dia 29 (três transferências: uma de R$ 10 mil, outra de R$ 46,5 mil e a última de R$ 53,4 mil).
Efetuar depósitos para a própria conta não se configura crime eleitoral. Porém, a força-tarefa da Lava Jato suspeita de que Waldir Maranhão tenha se beneficiado de um esquema de caixa 2.
Michel Temer: vice-presidente lidera rebelião na base governista, diante da maior recessão econômica em décadas, um escândalo de corrupção nacional e um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff
Até dezembro de 2015, prevalecia a imagem cultivada por Michel Temer em 34 anos de vida pública – e alimentada por amigos e aliados: a do político “ponderado”, “formal”, “conciliador”, “tranquilo”. A crise política, contudo, revelou aspectos diferentes da persona política do vice-presidente da República e a necessidade de se entender quem é, afinal, o político conhecido como esfinge do PMDB.
O jogo mudou na já histórica carta-desabafo dirigida à Dilma Rousseff seis dias após a abertura do processo de impeachment. No texto, em tom sentimental, ele lamenta a condição de “vice decorativo” e diz ser alvo de “desconfiança” e “menosprezo” do governo.
Se até então o peemedebista avançava casa a casa no xadrez do poder, o episódio foi um ponto fora da curva que marcou o afastamento de Temer do governo – e mostrou outra nuance da personalidade do vice-presidente.
Criticado até dentro do PMDB pela carta, considerada por alguns “infantil” e “primária”, em 2016, Temer parece ter seguido a lição de seus próprios versos, como os do poema “Exposição”, publicado no livro Anônima Intimidade (2013).
“Escrever é expor-se / revelar sua capacidade / ou incapacidade / E sua intimidade / Nas linhas e entrelinhas / Não teria sido mais útil silenciar?”
Retomou a atitude fria do político que acumulou prestígio atuando das portas dos gabinetes para dentro e se lançou na articulação do desembarque do PMDB do governo.
Origens
Em Btaaboura, vilarejo de 200 habitantes no norte do Líbano, a principal rua leva o nome de “Michel Tamer (sic), vice-presidente do Brasil”.
A família de Temer, de católicos maronitas, emigrou para o Brasil em 1925, fugindo dos problemas do pós-guerra. Comprou uma chácara em Tietê (SP), cidade de 40 mil habitantes entre Sorocaba e Piracicaba, e instalou uma máquina de beneficiamento de arroz e café.
Caçula temporão de oito irmãos, Temer nasceu e foi criado na área rural. Quando criança, passava férias na capital e era arrebatado pela metrópole. “Tinha a sensação que o mundo era São Paulo”, disse certa vez.
No primeiro ano colegial, ainda em Tietê, o adolescente ficou em recuperação (segunda época) em química e física e desistiu do chamado curso científico, que privilegiava ciências exatas e biológicas.
Em 1957, aos 16 anos, chegou a São Paulo, desta vez para terminar o colegial no curso clássico, com ênfase em humanas e letras. Fez o cursinho do professor Castelões, famoso preparatório para Direito, e ingressou na USP, seguindo o caminho de quatro irmãos mais velhos.
Envolveu-se com política logo no primeiro ano de universidade, quando se tornou segundo-tesoureiro do Centro Acadêmico 11 de Agosto. Prevalecia à época no movimento estudantil uma onda nacionalista, inspirada pela revolução cubana de Fidel Castro e o princípio da autodeterminação dos povos, mas a faculdade do Largo São Francisco mantinha a tendência liberal.
Em 1962, já em meio ao clima que culminaria dois anos depois no golpe que depôs João Goulart, Temer foi candidato a presidente do CA – perdeu por 82 votos, mas inoculou-se do gosto pela política, que ficaria dormente durante a ditadura militar.
“Confesso que durante a faculdade fiz muita política acadêmica, então sobrava pouco tempo para estudar, embora estudasse para não ser reprovado”, disse Temer em vídeo publicado em seu canal no YouTube.
Temer (segundo da dir. para esq.) nos tempos da Faculdade de Direito da USP: ênfase na política estudantil
Academia e governo
Neutro diante do golpe (não apoiou nem combateu a mudança de governo), Temer passou o regime militar longe da vida política. Montou um escritório de advocacia e começou a dar aulas de Direito na PUC-SP.
Como professor, costumava dizer no primeiro dia de aulas que todos estavam aprovados. “Vamos combinar o seguinte: não tem lista de presença, vocês estão aprovados. Quem quiser frequenta a aula. Até se vocês não vierem, facilitam minha vida, porque vou ao escritório mais cedo trabalhar na advocacia”, afirmava.
No mestrado que coordenava na PUC, teve alunos que viriam a se tornar ministros do Supremo Tribunal Federal, como Luiz Edson Fachin e Carlos Ayres Britto.
“Ele sempre foi sereno e conciliador por natureza”, disse Ayres Britto à BBC Brasil. “Tem uma vocação acadêmica muito forte, e nunca pensei que fosse incursionar pelo campo da política partidária.”
Em 1982, lançou Elementos de Direito Constitucional, livro que vendeu mais de 240 mil cópias, está na 24ª edição e até hoje é referência nas universidades.
“É uma obra bem primária, mas com valor didático. Não é inovadora. (Temer) não é considerado um grande teórico, mas um grande expositor”, avalia o jurista Dalmo Dallari, professor emérito da USP e crítico ao impeachment de Dilma.
No mesmo ano da publicação do livro, Temer foi convidado pelo governador eleito Franco Montoro, do recém-fundado PMDB, a assumir a Procuradoria-Geral do Estado. Montoro tinha sido professor da PUC e ambos haviam convivido na faculdade.
Era seu primeiro cargo público de relevo. “Eu tinha 41 anos e achava o máximo para a minha carreira ter mil procuradores sob meu comando”, disse Temer em 2010 à revista Piauí.
Meses depois, Michel Temer assumiria a Secretaria de Segurança Pública do Estado, substituindo o advogado José Carlos Dias, quem justamente havia sugerido Temer para a Procuradoria do Estado.
Eram tempos de redemocratização e agitação social, e a gestão ficou marcada por episódios em que o secretário negociou pessoalmente o fim de invasões de prédios públicos por estudantes e militantes sem-teto. Como realizações do período, ele costuma citar a criação das primeiras delegacias de defesa da mulher e de direitos autorais do país.
“Eu não conhecia nada, não tinha contatos”, disse Temer em entrevista de 2010 sobre o primeiro período à frente da segurança pública em São Paulo
Eleições
Por sugestão de Montoro, Temer candidatou-se a deputado federal pelo PMDB em 1986. Com 43.747 votos, ficou como suplente, mas assumiu o cargo no ano seguinte e participou da Assembleia Constituinte.
Naquelas discussões, opôs-se à emenda popular da reforma agrária (“permitiria a desapropriação indiscriminada de terras”) e ao voto aos 16 anos – algo que, segundo ele, abriria margem para reduzir a maioridade penal. Ajudou a aprovar projetos como o dos juizados de pequenas causas, do Código de Defesa do Consumidor e a extensão do voto a cabos e soldados.
Em 1990, em outra candidatura à Câmara dos Deputados, saiu com 32.024 votos e uma nova suplência. Logo seria convidado a “apagar um incêndio”, algo que se repetiria ao longo da carreira política.
Em outubro de 1992, assumiu novamente a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, desta vez por convite de Luiz Antônio Fleury Filho (à época no PMDB), uma semana após o massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos pela Polícia Militar.
“É organizado. Delegava para pessoas de absoluta confiança. Nada escapava dele e tomava providências”, disse à BBC Paulo de Tarso Mendonça, que foi adjunto de Temer na pasta.
Ao final da passagem pela secretaria, assumiu o mandato de deputado federal. Seria reeleito em 1994, com 70.968 votos, e multiplicaria a votação nos pleitos seguintes: 206.154 em 1998, 252.229 em 2002.
Michel Temer com Antônio Carlos Magalhães (primeiro à esq.) e Fernando Henrique Cardoso, durante os anos da gestão do PSDB no Planalto
Anos tucanos
Os anos do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) foram o auge de Temer nas urnas para eleições legislativas – em 2006, sua última eleição ao Congresso, obteve 99 mil votos e só entrou pelas sobras do quociente eleitoral. Também marcaram sua rápida ascensão dentro do PMDB.
Eleito líder do partido duas vezes, chegou à Presidência da Câmara pela primeira vez em 1997, com apoio do governo FHC, costurado mediante promessa dos votos de parte do PMDB à emenda da reeleição. Arranjo parecido se deu em sua segunda eleição ao comando da Casa, que se deu após o PMDB apoiar informalmente a reeleição de FHC.
No primeiro dos quatro volumes do livro Diários da Presidência, lançado em 2015 e que reúne relatos de Fernando Henrique Cardoso sobre os dois primeiros anos de seu governo (1995-1996), o ex-presidente reclama do “toma lá, dá cá” com o Congresso e demonstra desconforto com a ação do então deputado federal durante a discussão da reforma administrativa.
“E para ser mais solidário com o governo, ele (Temer) quer também alguma achega pessoal nessa questão de nomeações. É sempre assim. Temer é dos mais discretos, mas eles não escapam. Todos têm, naturalmente, seus interesses”, relata FHC no livro.
Na terceira passagem pela presidência da Câmara dos Deputados, Michel Temer, em foto de 2009 com o príncipe Charles da Inglaterra, foi aliado de primeira mão da gestão do PT no Planalto
Comumente descrito por aliados como “sereno’, “tranquilo” e “conciliador”, Temer teve raras rusgas políticas em público. Uma delas foi em 1999, quando entrou em rota de colisão com o então presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (então no PFL, atual DEM), por divergências em torno da reforma do Judiciário.
No bate-boca, que chegou a paralisar o Congresso, ACM disse que Temer tinha “pose de mordomo de filme de terror” e insinuou o envolvimento do colega em irregularidades no Porto de Santos, para o qual o peemedebista havia feito indicações políticas. “Quem atravessou a praça dos Três Poderes para pedir ao presidente da República que ajudasse um banco falido não fui eu”, rebateu Temer, em referência à ação de ACM em favor do hoje extinto Banco Econômico.
Desde 2001, Temer articula um amplo leque de interesses e líderes regionais como presidente nacional do PMDB – o maior partido do país, com 69 deputados federais, 18 senadores, 996 prefeitos e sete governadores (RO, RJ, RS, AL, SE, ES e TO), de Estados que somam 23% do PIB nacional.
Na eleição de 2002, Temer endossou o apoio do PMDB à candidatura presidencial de José Serra (PSDB), e chegou a ser cogitado para ser vice da chapa – posto que acabou com Rita Camata. No primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva, manteve-se no grupo do PMDB da Câmara identificado como oposição, enquanto Lula apostava no PMDB do Senado, de Renan Calheiros e José Sarney.
Anos petistas
Os primeiros anos da era Lula foram magros para Temer. Distanciou-se do centro do poder em Brasília, perdeu cargos na Mesa Diretora da Câmara e indicações em estatais. Em 2004, candidatou-se à vice-prefeito de Luiza Erundina e a chapa amargou um quarto lugar, com 4% dos votos.
O cenário começou a mudar em 2005-06, após a maior crise do governo Lula, a do mensalão, esquema ilegal de financiamento político organizado pelo PT para garantir votos no Congresso. O PMDB negociou apoio ao presidente e passou a integrar formalmente o governo em 2007, ampliando sua fatia em ministérios e estatais.
Em acordo semelhante ao fechado com o PSDB nos anos FHC, o PMDB defendeu a eleição do PT à Presidência da Câmara no biênio 2007-2009, em troca do poder no período seguinte – em 2009, Temer assumiu a direção da Casa pela terceira vez.
Naquele mesmo ano, Temer foi citado na operação Castelo de Areia, que investigou um suposto esquema de financiamento político ilegal pela construtora Camargo Corrêa – hoje envolvida na operação Lava Jato.
O nome do peemedebista apareceu em um documento com 54 planilhas, apreendido na casa de um executivo da construtora, que sugeriria uma contabilidade paralela da empresa. Era citado 21 vezes, entre 1996 e 1998, ao lado de quantias que somavam US$ 345 mil (R$ 1,2 milhão, em valores de hoje).
A operação acabou anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) por irregularidades na coleta de provas, e Temer sempre rechaçou as suspeitas.
Recentemente, o senador Delcídio do Amaral (ex-PT, sem partido) implicou o vice-presidente em delação premiada dentro das investigações da operação Lava Jato. Disse que Temer teve participação direta na indicação de dois executivos da Petrobras que acabaram presos por desvios na estatal – o peemedebista se disse “indignado” e negou as afirmações.
Na vice-presidência da República, insatisfação com papel “decorativo” e “absoluta desconfiança” de Dilma
No Planalto
Em 2010, Temer foi convocado mais uma vez ao papel de bombeiro: desta vez para garantir a estabilidade do sistema político como vice na chapa de Dilma Rousseff. O deputado unia em torno de si um partido historicamente dividido, e com um discurso que buscava superar a fama de fisiologismo da sigla.
“Antigamente o PMDB entrava na eleição dividido para depois negociar apoio ao governo eleito, por isso era chamado de fisiologista pela imprensa. Mas isso acabou. Estamos entrando na campanha juntos e governaremos juntos”, dizia às vésperas do anúncio da aliança na chapa.
Na campanha de 2010, Temer ficou praticamente de fora dos programas e propagandas eleitorais – apareceu no rádio e na TV apenas no segundo turno.
Já como inquilino do Palácio do Jaburu, a residência oficial do vice-presidente, reforçou a discrição, segundo um ex-assessor. Recusava muitos pedidos de entrevista, mas conversava (e ainda fala) diretamente com colunistas com quem tem relação mais antiga.
“Ele leva em consideração o que o assessor fala. Nunca o vi com raiva ou perdendo a compostura, mas mostra quando está irritado. Quem conhece percebe pela fisionomia e tom de voz”, disse o ex-assessor.
Michel e Marcela Temer na cerimônia de posse de Dilma Rousseff em 2015; relacionamento relâmpago e discrição na vida pessoal
‘Charmosão’
Aos 75 anos, Temer está no terceiro casamento, com Marcela Temer, ex-modelo e bacharel em direito de 32 anos e 1,72 metro – 2 cm a mais que o marido. Ambos possuem um filho de sete anos, Michel Temer Filho, o Michelzinho, e Marcela está grávida do segundo filho, conforme relatos publicados na imprensa no final de 2015.
O vice-presidente e a mulher se conheceram em 2002, durante a campanha eleitoral. O pai dela, um economista conhecido de políticos de Paulínia (SP), cidade de 100 mil habitantes na região de Campinas, sugeriu que fossem cumprimentar o prefeito – e o então candidato a deputado federal Temer estava por lá.
“Era um contato profissional que poderia me ajudar a dar um up na carreira (de modelo). Mas achei ele charmosão”, disse Marcela numa rara entrevista de 2010 à revista TPM. Depois da eleição, o pai de Marcela sugeriu que enviasse um e-mail ao deputado eleito parabenizando-o pelo resultado.
O namoro – o primeiro de Marcela – começou logo após o primeiro encontro, quando recebeu uma ligação do deputado. “Ele começou a gritar: ‘te amo’, ‘te amo’, ‘te amo'”, disse Marcela na entrevista de 2010. Casaram-se quatro meses depois.
Além de Michelzinho, Temer possui três filhas do primeiro casamento – Luciana, 46 anos, advogada, Maristela, 44 anos, e Clarissa, 42 anos, psicólogas e psicanalistas. Tem um filho de 16 anos, fruto de um relacionamento com uma jornalista de Brasília.
O vice-presidente é ainda o integrante (embora pouco ativo) mais ilustre do país da maçonaria, a instituição cercada de mistérios e códigos que já teve protagonismo político no passado, mas hoje possui finalidades basicamente filantrópicas e de relacionamento interpessoal.
Apoio de Temer à ascensão de Eduardo Cunha na Câmara – primeiro como líder do PMDB, depois como presidente – foi fonte de desgaste com Dilma
Desembarque
Nos quatro anos seguintes à vitória no pleito presidencial, Temer assumiu papel coadjuvante no governo, como deixou claro na polêmica carta à Dilma. “Perdi todo protagonismo político que tivera no passado e que poderia ter sido usado pelo governo. Só era chamado para resolver as votações do PMDB e as crises políticas”, escreveu.
Os sinais mais nítidos de desgaste na relação com o Planalto começaram em 2013. Naquele ano, Temer bancou, contra a vontade do Planalto, a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para liderança do PMDB na Câmara. Mais tarde, após as manifestações de 2013, disse que a ideia de uma Assembleia Constituinte exclusiva para a reforma política, uma das propostas de Dilma diante dos protestos, era “inviável”.
Na ocasião, o vice disse ainda acreditar que os protestos não pediam a renovação dos políticos, mas do sistema político. “Esse movimento não foi contra os políticos A, B ou C. Se fôssemos nessa linha, todos os Legislativos e Executivos tinham que sair de seus postos.”
A tensão se reduziu na campanha da reeleição em 2014. Temer subiu em palanques com Dilma pelo país e foi o primeiro a ser citado pela presidente no pronunciamento após a vitória. “Depois de ter sido um grande vice, se transformou num incansável e aguerrido militante, fervoroso militante, que andou o Brasil defendendo o nosso projeto, nossas propostas e nosso governo”, afirmou Dilma.
Em 2015, diante do agravamento da crise política e econômica, PMDB e PT divergiram na eleição à Presidência da Câmara. Temer e seu partido defenderam a candidatura vencedora de Eduardo Cunha.
Meses depois, Temer ensaiou mais uma vez o papel de bombeiro. Assumiu a articulação política do governo em abril, mas deixou a função quatro meses depois, no final de agosto.
Poucas semanas antes da saída, concedeu uma inusual entrevista na qual, nervoso, disse que o país precisava de “alguém (que) tenha a capacidade de reunificar a todos”. A interpretação corrente foi que o vice se lançara como alternativa política porque a alternativa do impeachment se tornara real.
Meses depois veio a carta à Dilma, cujo tom sentimental contrariava a postura do político cerebral muitas vezes classificado como esfinge – segundo o Houaiss: “pessoa enigmática, que pouco se manifesta e de quem não se sabe o que pensa ou sente”.
Temer na convenção do PMDB em março que o reconduziu à presidência do partido; vice-presidente administra há 15 anos os diversos interesses regionais do maior partido do Brasil
O impeachment esfriou no começo de 2016 e Temer deu a impressão de recuo. Mas a situação de Dilma se agravou com a delação de Delcídio e as investigações sobre Lula, e Temer passou a liderar a articulação pela saída do PMDB do governo, que amplia o isolamento da gestão Dilma Rousseff e as chances de debandada de outros partidos.
“O chamado impeachment não é uma peça de país de Terceiro Mundo. A peça dos países de Terceiro, Segundo Mundo é o golpe de Estado. E nós aqui fizemos funcionar todas as nossas instituições regularmente. (…) Esse é um exemplo que ficou”, dizia Temer em 1992, em referência ao caso Fernando Collor, em entrevista – regada a vinho do Porto – ao apresentador Clodovil (1937-2009).
Movido ou não pelo desejo de ocupar a cadeira de Dilma, o movimento de Temer e do PMDB nesta semana é mais um passo na engrenagem dessa peça que pode conduzi-lo, finalmente, à Presidência do Brasil.
Liderança comunitária jovem e atuante, o empresário Guilherme Mulato deixou oficialmente, nesta quinta-feira (31), o posto de secretário municipal adjunto de Articulação Política de São José de Ribamar e anunciou sua pré-candidatura ao cargo de vereador nas eleições municipais deste ano na cidade balneária. “Deixei o cargo com o objetivo de cumprir o que estabelece a legislação eleitoral e dedicar-me a novos projetos sempre voltados para o povo de nossa querida cidade, dentre eles o de colocar, a partir de hoje, meu nome à disposição como pré-candidato a vereador nas eleições de outubro”, afirmou Mulato em comunicado divulgado nas suas redes sociais.
Oriundo de família humilde e engajado, desde cedo, nos movimentos culturais, religiosos e comunitários da região da Cidade Alta, bairro onde cresceu, Guilherme Mulato comanda em São José de Ribamar o diretório municipal do PRP, partido que, segundo ele, possui mais de 400 filiados e que nas eleições de outubro estará forte e unido.
De acordo com ele, a população ribamarense clama por um Parlamento Municipal mais atuante e engajado com as reais necessidades do município.
Mulato agradeceu o apoio e a confiança do prefeito Gil Cutrim (PDT) que, segundo ele, é um político sério e que, com trabalho, sempre enfrentou as dificuldades pelas quais passam o município, principalmente as de ordem financeiras. “A atual administração municipal valorizou e continua valorizando ribamarenses de todos os cantos da cidade. Eu, cidadão humilde do bairro Cidade Alta, sou prova disso. Agradeço, de forma mais do que especial, o povo de São José de Ribamar e ratifico, mais uma vez, o meu total compromisso de continuar trabalhando por cada homem, mulher, criança, jovem e idoso da nossa cidade”, finalizou.
O Diretório Nacional do PMDB decidiu nesta terça-feira (29), por aclamação, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na reunião, a cúpula peemedebista também determinou que os seis ministros do partido e os filiados que ocupam outros postos no Executivo federal entreguem seus cargos.
O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, não participou da reunião que oficializou a ruptura com o governo sob o argumento de que não desejava “influenciar” a decisão. No entanto, ele teve participação ativa na mobilização pelo desembarque do partido e passou toda a segunda-feira (28) em reuniões com parlamentares e ministros do PMDB em busca de uma decisão “unânime”.
Comandada pelo primeiro vice-presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), a reunião durou menos de cinco minutos. Após consultar simbolicamente os integrantes do partido, Jucá decretou o resultado da votação.
“A partir de hoje, nessa reunião histórica para o PMDB, o PMDB se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no país está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB”, enfatizou.
A decisão do PMDB aumenta a crise política do governo e é vista como fator importante no processo de impeachment de Dilma. Há a expectativa de que, diante da saída do principal sócio do PT no governo federal, outros partidos da base aliada também desembarquem da gestão petista.
Atualmente, o PMDB detém a maior bancada na Câmara, com 68 deputados federais. O apoio ao governo, porém, nunca foi unânime dentro da sigla e as críticas contra Dilma se intensificaram com o acirramento da crise econômica e a deflagração do processo de afastamento da presidente da República.
Efeito dominó
Na reunião desta terça, os peemedebistas decidiram que os ministros da legenda que descumprirem a determinação de deixar o governo poderão sofrer sanções, como expulsão do partido.
Após a decisão do Diretório Nacional do PMDB, o G1 procurou as assessorias dos ministérios da Agricultura, da Aviação Civil, de Portos, de Ciência e Tecnologia, de Minas e Energia e da Saúde.
Por meio da assessoria, o Ministério da Saúde informou que Marcelo Castro permanecerá “por enquanto” tanto no cargo de ministro quanto no PMDB e aguardará os “próximos passos do partido”, como o prazo que será dado pela legenda para que os ocupantes de cargos no Executivo deixem as vagas.
Até esta segunda-feira, o PMDB ocupava sete cadeiras no primeiro escalão do governo Dilma. No entanto, Henrique Eduardo Alves, um dos peemedebistas mais próximos de Michel Temer, se antecipou à decisão da cúpula e entregou seu cargo a Dilma.
Dilma também lançou mão dos últimos esforços para tentar resgatar o apoio do partido. Na manhã de segunda, ela chamou ao seu gabinete no Palácio do Planalto seis dos sete ministros do PMDB para avaliar o cenário. No entanto, no fim do dia, Henrique Alves, um dos presentes ao encontro, apresentou a sua carta de renúncia.
Apesar do desembarque, Temer continuará na Vice-Presidência da República sob o argumento de que foi eleito pela população na chapa de Dilma e de que não ocupa, portanto, cargo de submissão à presidente.
Afastamento
A decisão de afastamento já estava tomada, mas o PMDB decidiu dar uma espécie de “aviso prévio” ao governo. Reunião da convenção nacional do PMDB no dia 12 de março foi marcada por discursos em defesa do impeachment de Dilma e do rompimento com o governo.
Na ocasião, ficou decidido que o partido anunciaria em 30 dias se desembarcaria ou não do governo. Também ficou estabelecido que o PMDB não assumiria novos ministérios até que o fosse definido se haveria o rompimento.
No entanto, dias depois, a presidente Dilma ignorou a decisão e empossou o deputado licenciado Mauro Lopes (PMDB-MG) como ministro da Secretaria de Aviação Civil. A nomeação foi vista como uma afronta pelo partido, que abriu um processo no seu Conselho de Ética para expulsá-lo da legenda. O episódio ajudou a agravar a crise e acelerou a decisão do partido.
Escalada da crise
A relação do PMDB com o governo do PT tem se deteriorado nos últimos anos. Quando Dilma se preparava para disputar o segundo mandato, o partido deu mostras claras de que estava rachado quanto ao apoio à petista.
Na época, em junho de 2014, a manutenção da aliança foi aprovada pela convenção nacional do PMDB, mas recebeu mais de 40,8% de votos contrários. A ala dissidente reclamava que o partido não era ouvido pelo governo federal e que os ministros da legenda não tinham real poder de comando.
Ao longo do primeiro ano do segundo mandato de Dilma, a crise se agravou. O primeiro embate entre PT e PMDB ocorreu na disputa pela presidência da Câmara, quando o governo federal iniciou uma campanha ostensiva para que Arlindo Chinaglia (PT-SP) vencesse a eleição e derrotasse o candidato peemedebista Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se elegeu em primeiro turno.
Sob o comando Cunha, a Câmara derrotou o Planalto em diversas ocasiões neste ano, com a votação de matérias desfavoráveis ao governo. Além disso, no ano passado, houve na Casa a instalação da CPI da Petrobras, para investigar o escândalo de corrupção na estatal.
Para tentar conter a rebelião na base, a presidente promoveu, em 2015, uma reforma ministerial para ampliar o espaço do PMDB no governo, que chegou a ter sete ministérios. No entanto, a estratégia não foi bem sucedida.
Para agradar os parlamentares na Câmara, o governo entregou ao líder da bancada, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), a incumbência de indicar nomes para duas pastas, incluindo a da Saúde, com o maior orçamento da Esplanada. Essa aproximação descontentou ainda mais a ala rebelde do partido, que se voltou contra Picciani quando ele indicou integrantes menos críticos a Dilma para a comissão do impeachment.
Ele chegou a ser destituído do posto em dezembro por oito dias em uma articulação patrocinada diretamente por Temer e Cunha, mas conseguiu reaver o posto com o apoio da maioria.
Para ser reeleito neste ano, foi preciso uma atuação direta do Planalto para garantir a ele votos suficientes, inclusive com a exoneração temporária do ministro da Saúde, Marcelo Castro, para reassumir como deputado e votar a favor de Picciani.
Apesar da entrega de cargos, a ala do PMDB descontente com o governo ganhou força com a queda continuada de popularidade da presidente, agravada pela escalada de denúncias relacionadas à Operação Lava Jato.
prefeito de Timbiras, Carlos Fabrízio Araújo, ficou só na vontade de receber o titulo de cidadão Timbirense. A indicação feita por vereadores aliados foi engavetada na semana passada pela Câmara Municipal.
O gestor, que conta com alta rejeição popular e tem tido uma passagem desastrosa na cidade, não apresenta qualquer motivo para receber um título tão importante como esse.
Para o vereador oposicionista, Josimar Magalhães, conceder o titulo de cidadão ao gestor iria contra tudo que ele deixou de realizar pela população do município. “Então, aqui hoje mais uma derrota para o prefeito que não recebeu o título de cidadão timbirense e nem vai receber porque nós vereadores de oposição não vamos dá título de cidadão timbirense, porque ele não é um cidadão timbirense, ele é um forasteiro, não mora em Timbiras, maltrata o povo, não faz as coisas”, ressaltou o vereador.
Em meio à crise política e econômica que o país enfrenta, são muitas as especulações sobre o futuro incerto do governo.
O colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, divulgou neste domingo (29) que a presidente Dilma Rousseff fez uma declaração bastante surpresa em conversa recente com um presidente de partido da base.
Segundo o interlocutor, Dilma declarou: “dentro de 90 dias talvez eu não esteja mais aqui”.
As próximas semanas devem ser decivisas para a política brasileira, em jogo está o desembarque do PMDB do governo, o processo de impeachment da presidente Dilma, a investigação e o impasse sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as investigações sobre o presidente da Câmara Eduardo Cunha, entre outros temas. Fornecido por Notícias ao Minuto
A Câmara dos Deputados deve votar o afastamento da presidente Dilma Rousseff em meio a um nível recorde de fragmentação partidária, isso poderá dificultar a governabilidade do país independente de qual seja a decisão final.
Segundo a Folha de S. Paulo, atualmente 25 partidos estão no Congresso, os três maiores são PMDB, PT e PP, que totalizam pouco mais de um terço dos deputados federais.
Entre os partidos que estiveram nas últimas seis disputas presidenciais, o PT tem a menor bancada desde que chegou ao Palácio do Planalto, já o PSDB diminuiu em relação aos anos do governo do tucano de Fernando Henrique Cardoso.
A publicação destaca que a Rede abriga a ex-senadora pelo Acre Marina Silva (ex-PT, ex-PV e ex-PSB) e apenas cinco deputados. Já o Partido da Mulher Brasileira tem apenas um membro, do sexo masculino.
A legislação brasileira ajudou o país a se tornar um dos líderes mundiais em proliferação de partidos desde sua redemocratização, recorde-se que até 1979 a ditadura militar permitia apenas duas legendas. Os atuais números não têm precedentes no período.
A Folha explica que na Câmara existem obstáculos inéditos para a formação de maiorias e mesmo alianças ocasionais. No caso da defesa de Dilma, o PT e seus aliados mais fiéis à esquerda, PDT e PC do B, contam apenas 91 votos, 80 abaixo do mínimo necessário para manter a presidente no governo.
Desde a legislatura passada, o trio de siglas diminuiu, quando o fracasso das políticas econômicas desenvolvimentistas desencadearam um desgaste progressivo do governo.
Ainda segundo a publicação, no restante da base de sustentação ao Planalto, as afinidades ideológicas são mais ralas, e os compromissos, mais incertos, um exemplo é o PMDB do vice Michel Temer e seus 69 deputados.
Pós-impeachment
O governo tem pela frente uma agenda de ajustes orçamentários que podem incluir a elevação de impostos e uma reforma da Previdência com redução de direitos.
PSDB e DEM são os partidos que podem concordar com a pauta, pois são os principais sustentáculos das reformas liberais do governo FHC na década de 1990. Em 1998, os dois partidos elegeram juntos 204 dos 513 deputados. O segundo governo tucano elevou a alíquota da CPMF, a antiga contribuição sobre movimentação financeira, criou o fator previdenciário, que reduziu as aposentadorias, e aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal.
A reportagem destaca ainda que atualmente tucanos e democratas somam apenas 76 nomes; somados os peemedebistas, que também minguaram nas últimas eleições, não se atinge 30% da Câmara.
A oferta de cargos e verbas poderá ser uma alternativa para conquistar votos nas legendas de menor protagonismo político, que, atualmente, formam a maioria da Casa. Os principais exemplos são PP, PR e PSD, todos representados no ministério de Dilma.
Na possibilidade de um impeachment, a união de apoio a Temer será outra tarefa difícil, independentemente da instabilidade que os próximos movimentos da Operação Lava Jato venham a provocar no mundo político.
Na última semana mais um pré-candidato a vereador filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista e declarou apoio a pré-candidatura do empresário Francisco Nagib a prefeito do município de Codó. No evento, que aconteceu no dia 20 de março na sede da Associação Comercial de Codó, o pré-candidato a vereador Fernando Santana reuniu mais de cerca de trezentos correligionários para anunciar sua filiação ao PDT de Francisco Nagib.
De acordo com Fernando, o PDT apresenta a melhor alternativa para o município de Codó, por ter como pré-candidato a prefeito o jovem empresário. “O PDT, a cada momento, tem mais adesões e mais pessoas estão abraçando a candidatura de Francisco Nagib. Vamos trabalhar para que o eleitorado codoense apoie massivamente o projeto do PDT para termos uma Codó melhor”, declarou.
Mais jovens lideranças aderem ao PDT
Fernando Santana também explicou que sua pré-candidatura a vereador nasceu de um desejo de sua base, para ver na câmara codoense novas práticas de trabalho, valorizando ações que busquem superar os problemas sociais que impedem o pleno desenvolvimento de Codó. “Acreditamos nos ideias do PDT e na competência, experiência e compromisso do empresário Francisco Nagib”.
Na ocasião, o pré-candidato a prefeito e presidente do PDT codoense, Francisco Nagib explanou ao público presente um pouco sobre sua vida e do desafio de sair de sua zona de conforto e buscar a luta política. O jovem empresário falou sobre projetos inovadores nas áreas da saúde, geração de empregos, segurança e educação e sobre a necessidade de Codó acompanhar as mudanças que acontecerão no país.
“Sabemos que o Brasil passa por um momento de mudança e acreditamos que novas pessoas devam ingressar na política e fazer uma história diferente. Pessoas com novas ideias e projetos, que possam resgatar a alegria e as perspectiva de um futuro melhor para o povo brasileiro e também para a população codoense”, afirmou.
Francisco Nagib também disse estar muito satisfeito em receber Fernando Santana no partido, para fazer parte das fileiras do PDT no município. “Para nós é uma alegria muito grande estar presente aqui no lançamento da pré-candidatura a vereador de Fernando Santana, entre mais de trezentos correligionários. A cada dia, o PDT codoense recebe adesões de lideranças que acreditam que é possível a construção de uma cidade que seja orgulho de todos os codoenses”.
Ascom
A seu favor, a presidente Dilma Rousseff tem a capacidade de mobilização de setores historicamente próximos a seu partido, o PT. Por outro lado, na comparação com a mesma fase do processo de impeachment contra Fernando Collor, ela é alvo de um maior número de acusações de crime de responsabilidade.
Essa é a avaliação do deputado estadual Ibsen Pinheiro, líder do PMDB gaúcho e uma das principais testemunhas do início da queda do ex-presidente.
Segundo o peemedebista, que aceitou o pedido de afastamento do hoje senador e presidiu a Câmara dos Deputados durante o processo, o “clima” para o impeachment está em um “acelerado” processo de mudança, com uma piora da situação de Dilma por causa da delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) e da revelação de conversas com o ex-presidente Lula, mesmo que elas sejam consideradas judicialmente ilegais.
Ele faz uma previsão: se a votação for apertada, a presidente tende a escapar do impeachment. “Se for necessário convencer deputado, cantar deputado e contar deputado, é porque não haverá o clima avassalador que reduziu a pó a maioria que tinha o presidente Collor antes da votação”, diz, ao explicar que a situação à época foi definida por causa do “pequeno”, mas “vergonhoso” episódio do veículo Fiat Elba adquirido com recursos provenientes de corrupção.
Para Pinheiro, assim como Collor, os próximos fatos é que selarão o destino de Dilma. Confira abaixo os principais trechos da entrevista: BBC Brasil- Em julho passado, o sr. disse à BBC Brasil que não via uma crise político-institucional e, por isso, não havia clima para impeachment. E agora?
Ibsen Pinheiro -Lembro de ter dito que faltavam dois elementos: o primeiro é técnico, é o jurídico, a tipificação da conduta. E o segundo é o político-popular. Ninguém cogita destituir o presidente por um fato menor, ainda que bem definido, como a pedalada fiscal. Não me parecia fundamento para um impeachment, e também não via a presença do sentimento popular.
Bom, as coisas se alteraram, especialmente após a delação do senador Delcídio do Amaral envolver a presidente e o ex-presidente Lula. Posteriormente, as gravações determinadas pelo juiz Sergio Moro trazem também a presença dos dois em atividade que, em tese, alguns já definem como tentativa de intervenção em investigação judicial. O que aí teria também a característica de configurar, em tese, crime de responsabilidade.
O sentimento popular agora tem um grau de mobilização espontânea muito significativo, e a definição do fato corresponde à tipificação do crime de responsabilidade. BBC Brasil -Mesmo ainda sem comprovação, a delação do Delcídio piora muito a situação da presidente?
Ibsen Pinheiro -A comprovação é um pré-requisito essencial, mas, num processo de impeachment, o julgador, que é o deputado no primeiro momento e o senador no segundo, não é um técnico nem um jurista, salvo exceções.
Um exemplo concreto: houve um senador que foi gravado incidentalmente, pois o monitorado era seu interlocutor, por decisão de um juiz de primeiro grau. Logo faltava a decisão do foro especial, que é o Supremo. Falo do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) e do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Num processo criminal, essa prova não pode ser usada, mas o senador perdeu o mandato por causa dessa conversa. Porque o julgamento político ocorreu: “não podemos ignorar esse fato, ele é verdadeiro e grave”. Então foi fundamento para a cassação. BBC Brasil -É como se, no processo no Congresso, o imoral pesasse mais do que o ilegal?
Ibsen Pinheiro -Num processo político, o fundamento moral tem mais peso. Mas o peso decisivo é o fundamento político aliado à percepção dos fatos. Se o fato está comprovado, pouca relevância tem se essa comprovação surgiu com o devido processo legal ou por uma escuta ilegal. BBC Brasil -A Comissão Especial está instalada, e já corre o prazo para a defesa da presidente. O que é determinante agora?
Ibsen Pinheiro -A primeira manifestação relevante da comissão vai ser a última, que é o parecer. Ela agora está fazendo reuniões que a rigor são preparatórias, não houve a defesa ainda. Ela vai ouvir especialistas, juristas, mas essa é uma atividade mais midiática do que de conteúdo. Embora possa ser útil, claro, para discutir em tese o problema. BBC Brasil -Se formos comparar com o mesmo momento do caso Collor, em 1992, a situação de Dilma é melhor ou pior?
Ibsen Pinheiro -Melhor num aspecto e pior num outro. Pior porque o volume de acusações compatíveis com a definição do crime de responsabilidade é maior por causa da quantidade de delações, das entrevistas e das gravações.
No caso de Collor, as acusações pesadíssimas não eram contra ele, eram contra PC Farias. As acusações de cumplicidade eram importantes do ponto de vista político, mas não tiveram comprovação. A entrevista do irmão, do motorista, eram genéricas: Passavam a ideia de verdade, mas não tiveram comprovação. Um pequeno fato, e vergonhoso, foi o fator decisivo: o Fiat Elba.
A situação dele, até o Fiat Elba, era menos carregada de acusações de crime de responsabilidade. BBC Brasil -E em que ponto Dilma está em melhor situação?
Ibsen Pinheiro -Ela pode estar minoritária, mas não está isolada. Ao contrário do Collor, foi candidata de um grande partido, o PT, e com apoio de um partido pequeno, mas com grande tradição política, o PC do B. E esses partidos têm base e têm inserção social, especialmente em alguns setores da vida sindical e estamentos sociais de grande vinculação política e ideológica com o PT. É um número significativo, como se viu nas manifestações a favor do governo.
Eu diria que a opinião pública mobilizou-se a favor do impeachment, esse é o sentimento generalizado. Mas que os setores dos quais o PT tem ramificações, influência e história, junto com o PC do B, têm uma capacidade de mobilização significativa. BBC Brasil -Se o sr. pudesse fazer uma aposta agora, diria que ela vai cair?
Ibsen Pinheiro -Não há clareza hoje para afirmar. Escuto e leio com frequência que a presidente precisa de 172 votos. Não, não precisa. Ela precisa que os votos contra, as abstenções e as ausências somem 172 deputados.
Então, em vez de responder sim ou não, vou responder condicionado: se for por votação apertada, acho que não passa (o impeachment). Se for necessário convencer deputado, cantar deputado e contar deputado, é porque não haverá o clima avassalador que reduziu a pó a maioria que tinha o presidente Collor antes da votação. BBC Brasil -Esse clima existe agora?
Ibsen Pinheiro -O clima está em um processo de mudança muito acelerado. E ele depende de fatos também. Doutor Ulysses (Guimarães) dizia que tudo é importante na vida política, mas a cadeira principal pertence à sua excelência, o fato. Não posso adivinhar nem especular, mas pode ocorrer algo que altere profundamente a situação.
Lembro que o Collor, no começo, tinha do seu lado duas das maiores bancadas – o PDS, antiga Arena, e o PFL. E tinha outra bancada grande, que era de quase uma centena de deputados do PMDB. Sei bem porque era o líder da bancada, tínhamos 235 deputados. E desses, quase uma centena votou a favor do confisco da poupança, embora a liderança tenha combatido tenazmente. E votaria com o Collor no caso do impeachment.
Mas a sucessão dos fatos – a entrevista do irmão, do motorista, o Fiat Elba -, devastou (o apoio). BBC Brasil -O PMDB está ensaiando um rompimento com o governo. Como o senhor avalia isso?
Ibsen Pinheiro -É uma profunda alteração e aceleração de um sentimento do PMDB. Vejo festejando de um modo singular, porque o PMDB gaúcho foi contra essa coligação antes da eleição. Tivemos de dizer ao Michel Temer que o apreço que tínhamos por ele não seria afetado, mas nós não votaríamos na chapa que integrava.
Nunca quisemos essa parceria porque nunca apreciamos as políticas públicas do PT. Entendemos como profundamente equivocado você fundamentar políticas sociais no endividamento. Isso é cruel com os supostos beneficiários. Porque quando essa política não se sustenta, são os mais vulneráveis que pagam a conta.
Não fizemos nenhuma indicação ao governo Dilma. Não houve nenhum representante do PMDB gaúcho. BBC Brasil -Mas o Eliseu Padilha esteve lá, na Aviação Civil.
Ibsen Pinheiro -Mas não representava o PMDB gaúcho. Foi porque recebeu um convite pessoal. Antes dele foi o Mendes Ribeiro (na Agricultura, morto no ano passado). Nós convivemos com isso, o PMDB não expulsa os seus divergentes. Ainda bem, porque já fui divergente. Eles não representavam o PMDB gaúcho. Representavam o PMDB nacional? Pode ser.
Agora, o sentimento pela saída é muito forte. Nesta semana o deputado Osmar Terra, na reunião da Executiva, nos informou que já são 13 os diretórios estaduais que apoiam o afastamento. Treze é a um diretório da maioria absoluta. Embora a votação não seja por diretório, e sim por membro do Diretório Nacional, intuo que está se construindo um sentimento muito amplo pelo afastamento.
Não sei se é necessariamente pelo impeachment, não é isso que estará se votando. BBC Brasil- Por quê?
Ibsen Pinheiro -Houve um fato que agravou em muito (a relação), que foi a posse do ministro Mauro Lopes (deputado do PMDB, na Aviação Civil). Ora, foi uma decisão unânime da Convenção Nacional que o PMDB, neste prazo para estudar o afastamento, não aceitasse nomeação.
O PMDB não gostou da atitude de seu deputado e não gostou também da atitude da presidente, pareceu uma afronta ao PMDB. Ela poderia ter esperado mais duas semanas para fazer a nomeação depois da reunião do Diretório Nacional. Este fato incrementou enormemente a tendência pelo afastamento. É o mais provável hoje. BBC Brasil -Mas o partido não fica numa situação complicada, já que também tem sido implicado nas delações e nas investigações da Lava Jato?
Ibsen Pinheiro -A delação premiada, quando aponta o nome, isso não é bom para quem é apontado. Mas não basta dizer que fulano também participou porque indicou, nomeou, pois isso não pode ser crime de responsabilidade. Senão a Dilma responderia pelos atos de todos os quadros que ela nomeou.
Não se vê em relação ao Temer uma prova, nem sequer uma acusação. A não ser a de ter responsabilidade política nas nomeações do PMDB. Mas crime de responsabilidade, não há nenhuma acusação. BBC Brasil -E não é complicado sair depois detodos esses anos ao lado do PT?
Ibsen Pinheiro -Se o PMDB se afasta, poderá dizer a verdade, que é convincente: que esteve durante anos no governo, mas não esteve no poder, que está nas mãos exclusivamente do presidente da República.
O PMDB esteve no governo com ministros, mas nunca esteve no poder, que é o que define o principal: a política econômica, a financeira, a externa, a de defesa. Tudo isso é o presidente sozinho. BBC Brasil -O sr. dizia acreditar que Eduardo Cunha não agiria “com seus humores” sobre o impeachment. Mas ele acabou aceitando o pedido logo após ficar claro que o PT votaria contra ele no Conselho de Ética…
Ibsen Pinheiro -Tenho a impressão que ele agiu olhando para o seu projeto de sobrevivência. Isso não chega a ser anormal, o político está sempre vinculado à sua sobrevivência ou a seu crescimento político. Por isso alguns erros graves se praticam.
Na véspera eu disse: ele vai acolher o pedido. Porque a sobrevivência dele, o cacife dele, está na administração do processo de impeachment. Isso foi tão verdadeiro que em grande parte, por causa disso, ele conseguiu trabalhar o retardamento do seu processo no Conselho de Ética.
Há um processo de sustentação mútua e recíproca entre a Presidência da República e a Presidência da Câmara. Ambas se sustentam uma com o fantasma da outra. Mas, a essa altura, esse fator é irrelevante. Há uma consciência clara de que a pauta tem como primeiro ponto o impeachment, e depois fica aberta para a questão do processo de cassação. BBC Brasil -O sr. acha que o Cunha, como réu da Lava Jato e alvo de processo de cassação, tem condições de tocar o processo de impeachment?
Ibsen Pinheiro -O quadro perfeito seria que o presidente da Câmara tivesse imparcialidade e uma imagem intocada. Mas infelizmente a escolha nem sempre é feita por esse critério. Então se elegem pessoas com imagem desgastada, devastada. Às vezes injustamente. Outras vezes com procedência bem clara, como é o caso atual.
Mas na função de presidir (o processo), o perfil moral do condutor não é relevante. Porque a legalidade é muito precisa, muito clara, muito expressa. O que ele tem de fazer, está fazendo. A Câmara instituiu a Comissão Especial, que vai dar um parecer, que vai a voto. Sim, não, abstenção e ausência. A Presidência da Câmara tem um papel importante na condução formal, mas no conteúdo não tem papel nenhum.
Em seu discurso na sessão desta semana da Câmara Municipal de Codó, o vereador Gracinaldo conferiu suas homenagens pelo sexto aniversário da Igreja de Cristo Pentecostal No Brasil (ICPB), que foi realizado no município de Capinzal do Norte no último domingo. “Quero parabenizar a todos os irmãos pelo sexto aniversário da Igreja de Cristo Pentecostal No Brasil, realizado em Capinzal do Norte, no qual fomos convidados para uma festa muito bonita. Foi uma caravana grande daqui da cidade de Codó e tive a oportunidade de ministrar a palavra de Deus. Agradeço a parabenizo a todos pelo importante momento”.
Moção de Pesar
O edil também falou sobre a Moção de Pesar pelo falecimento do repórter Silvio Luís e lamentou a perda. “Quero destacar o grupo de cidadãos que se esforçaram para ajudar no traslado do corpo do repórter, das pessoas que foram em cada casa, pedindo ajuda para os custos de transporte, e para que o corpo fosse velado e enterrado na cidade de Codó. Coloco-me a disposição para ajudar, caso seja necessário honrar mais algum compromisso financeiro”
O Edil lamentou sobre os motivos da não realização de homenagens ao repórter, devido a problemas de documentação. “Todos sabem que no mês de abril, aniversário de nossa cidade, a Câmara Municipal concede títulos de cidadão e outras comendas. No ano passado nos foi passado a documentação, pela direção da TV Palmeira do Norte, para que fosse feita homenagens a Silvio Luís. No entanto, não foi possível, por alguns critérios estabelecidos pelo regimento da Casa. Critérios que podem ser reavaliados. Pois perdemos de prestar uma justa homenagem em vida e esse profissional e sua família”.
Gracinaldo encerrou seu pronunciamento parabenizando a classe jornalística do município de Codó por toda a mobilização em torno do falecimento do repórter Silvio Luís e da luta empreendida para realizar seu velório e sepultamento com toda dignidade necessária.
Ascom.